O convite ao cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, para comparecer à CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) gerou um bate-boca na noite de segunda-feira (22) nas redes sociais.
A sugestão de chamar o MC partiu do presidente do colegiado, deputado Alexandre Knoploch (PL), e rapidamente provocou reação do próprio artista e de apoiadores nas redes sociais.
Poze afirmou ser alvo de perseguição “descarada” e ironizou a convocação, dizendo que “chega a ser engraçado o tempo que eles têm para isso”. Ele também lembrou de um vídeo em que Knoploch o chamou de “marginal” e desabafou:
“O cara me chama de marginal e está atrás de qualquer jeito para ferrar com a minha vida. É o país que vivemos. É tudo aceito porque ele tem patente alta lá dentro. Marginal é o car4lh@! Eu sou pai de família, com cinco filhos, batalhador, guerreiro. Eu sou sinistro”.
Mais calmo, ele apagou a postagem e fez nova publicação dizendo que poderia ser chamado para projetos sociais nas comunidades. Assista:
Reação nas redes sociais
Além do rapper, o influencer Rafael Murmura, que tem mais de quatro milhões de seguidores, também entrou na discussão. Ele criticou a postura do deputado e reforçou a narrativa de perseguição.
“Você está sendo denunciado pelo carro que roubaram de você e ele está denunciando pelo carro que você recebeu de volta”, afirmou. A declaração de Murmura ganhou grande repercussão e ajudou a ampliar o embate nas redes sociais, colocando o tema entre os mais comentados da noite. Assista:
Resposta de Knoploch
O deputado Alexandre Knoploch reagiu às críticas e declarou que não age em busca de popularidade digital. “Não vivo de likes, nem de lacração. Minha missão é investigar e expor esquemas que alimentam o roubo de carros e o terror vivido por milhares de famílias”, disse.
Ele afirmou que prefere “trabalho sério, com documentos, depoimentos e resultados” e destacou que a CPI das Câmeras existe justamente para investigar relações perigosas entre o crime e empresas que deveriam proteger os cidadãos.
A relação entre Knoploch e MC Poze já havia se tornado tensa anteriormente. Em maio, o cantor foi preso por apologia ao crime e suposto envolvimento com o tráfico de drogas após uma denúncia apresentada pelo deputado. Assista:
Objetivo da CPI das Câmeras
A CPI das Câmeras investiga empresas privadas responsáveis pela instalação de equipamentos de monitoramento em locais públicos, além de cooperativas ligadas à recuperação de veículos roubados. A comissão foi criada por iniciativa de Knoploch.
Ela também analisa as ações de locadoras de veículos, bem com roubos de cargas e formas de lavagem de dinheiro. Com a quebra dos primeiros sigilos bancários, os deputados já tiveram acesso a movimentações milionárias de investigados.
A CPI já tem indícios de crimes envolvendo associações de proteção veicular e ligações com o crime organizado. As investigações revelam que entidades que deveriam funcionar sem fins lucrativos, oferecendo uma alternativa mais barata ao seguro tradicional, estariam operando de forma irregular.
Durante oitiva com presos no Complexo de Gericinó, na semana passada, os deputados tiveram informações que bandidos negociam o chamado ‘resgate’ — prática que envolve roubo de carros e devolução mediante dinheiro.






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