Congresso vota em 30 de abril veto de Lula ao PL que reduz penas do 8 de Janeiro

Sessão convocada por Davi Alcolumbre pode mudar regras de prisão e progressão de regime para condenados por atos golpistas

O Congresso Nacional deve votar na próxima quinta-feira, dia 30 de abril, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamado PL da Dosimetria, projeto que pode reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro e alterar regras para progressão de regime prisional. A sessão foi convocada pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e promete ser um dos principais embates políticos do mês em Brasília.

Em nota oficial, Alcolumbre informou que a sessão terá item único na pauta: a análise do veto nº 3 de 2026, referente ao Projeto de Lei 2.162/2023. A proposta foi aprovada pelo Congresso no fim de 2025, mas barrada integralmente por Lula em janeiro deste ano.

O projeto altera a forma como penas são calculadas em crimes contra o Estado Democrático de Direito, especialmente nos casos relacionados à tentativa de golpe de Estado e atos antidemocráticos.

Na prática, o texto determina que, quando os crimes de tentativa de golpe e atentado ao Estado Democrático ocorrerem no mesmo contexto, seja aplicada apenas a pena mais grave, e não a soma das punições. Isso pode resultar em penas menores para condenados.

A proposta também reduz o tempo mínimo necessário para que presos avancem do regime fechado para o semiaberto ou aberto.

Quem pode ser beneficiado

As mudanças podem alcançar condenados pelos ataques de 8 de Janeiro, além de investigados e réus em ações relacionadas à tentativa de golpe.

Entre os nomes citados no debate político e jurídico estão:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil
  • Augusto Heleno, ex-chefe do GSI

Especialistas também apontam que o texto pode impactar presos condenados por outros crimes, ao modificar regras gerais de progressão de pena.

Ao anunciar o veto integral, Lula afirmou que reduzir punições por crimes contra a democracia representaria retrocesso institucional.

Segundo a justificativa enviada ao Congresso, a proposta poderia enfraquecer a resposta do Estado a ataques contra a ordem democrática, além de contrariar princípios de proporcionalidade, igualdade e impessoalidade.

O governo também alegou falha no processo legislativo. De acordo com o Planalto, como a Câmara alterou o mérito do texto aprovado no Senado, a proposta deveria ter retornado para nova análise dos senadores.

Como será a votação

Para derrubar o veto presidencial, será necessária maioria absoluta em votação separada na Câmara dos Deputados e no Senado.

Se o veto cair, o texto será promulgado e passará a valer. Se for mantido, seguem as regras atuais aplicadas pela Justiça.

Progressão de pena prevista no projeto

O PL da Dosimetria estabelece os seguintes percentuais mínimos de cumprimento da pena:

  • Regra geral: 1/6 da pena
  • Crime violento primário: 25%
  • Violento reincidente: 30%
  • Reincidente não violento: 20%
  • Hediondo primário: 40%
  • Hediondo com morte: 50%
  • Milícia ou organização criminosa: 50%
  • Hediondo reincidente: 60%
  • Hediondo reincidente com morte: 70%
  • Feminicídio primário: 55%

Clima político em Brasília

Recentemente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou esperar que o veto seja derrubado pelo Congresso. A fala aumentou a expectativa sobre o placar da votação e colocou o tema no centro das negociações políticas entre governo e oposição.

A análise do veto ocorre em meio à disputa entre grupos que defendem punição rigorosa aos envolvidos nos atos golpistas e parlamentares que cobram revisão das penas impostas pelo Judiciário.

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