O condomínio de um prédio na Avenida Maracanã, na Tijuca, Zona Norte do Rio, estuda recorrer à Justiça para impedir que o lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes continue morando no edifício. Preso após uma sequência de ataques contra três vizinhas, incluindo uma agressão brutal registrada por câmeras de segurança, ele também é acusado de invadir apartamentos e ameaçar moradores de morte na madrugada de quinta-feira (5).
A possibilidade de uma ação judicial foi confirmada pelo advogado André Luiz Junqueira, que representa o condomínio. Segundo ele, a administração avalia medidas para afastar definitivamente o lutador do prédio, diante da gravidade dos episódios e do temor dos moradores.
Lucas vivia no edifício como inquilino havia aproximadamente quatro anos. De acordo com o advogado, até então não existiam registros de conflitos ou ocorrências envolvendo o morador. A situação mudou após os ataques, que provocaram apreensão entre os residentes e levaram a administração a discutir alternativas jurídicas para impedir seu retorno ao imóvel.
Condomínio avalia ação judicial para retirar lutador
Segundo André Luiz Junqueira, a intenção é buscar uma decisão judicial que impeça Lucas de continuar residindo no condomínio, mesmo que o proprietário do apartamento ainda não tenha formalizado a retomada do imóvel.
“O condomínio está avaliando uma ação cível para expulsá-lo. O entendimento majoritário é que há necessidade de assembleia para aprovar essa ação, mas, face o receio dos moradores de se exporem, devemos mover ação direto”, afirmou o advogado.
A realização de uma assembleia para autorizar o processo é considerada uma das possibilidades. No entanto, o receio dos moradores de se identificarem ou se exporem publicamente pode levar a administração a ingressar diretamente na Justiça.
O advogado explicou que a medida poderá se tornar desnecessária caso o proprietário do apartamento consiga retomar o imóvel antes da apresentação de uma eventual ação pelo condomínio. Por enquanto, a administração acompanha os desdobramentos do caso e avalia quais providências poderão ser adotadas para garantir a segurança dos residentes.
Vizinhas foram agredidas durante madrugada
Os episódios ocorreram na madrugada de quinta-feira (5), quando Lucas teria iniciado uma discussão dentro do próprio apartamento, acompanhada de gritos e agressões.
Segundo a Polícia Civil, o lutador passou a invadir outras unidades do edifício e a ameaçar moradores de morte. Uma das vizinhas conseguiu escapar com familiares pelas escadas, evitando um novo confronto.
Em outro apartamento, o homem atacou uma moradora de 65 anos, que precisou ser socorrida e encaminhada a uma unidade hospitalar. Uma terceira mulher, que saiu de casa após ouvir os gritos e tentar ajudar, acabou encontrando Lucas no elevador e também foi violentamente agredida.
Esse último ataque foi registrado pelas câmeras de segurança do condomínio. As imagens mostram o lutador entrando no elevador por volta de 1h10 e iniciando uma sequência de agressões contra a vizinha.
Durante aproximadamente três minutos, ele desferiu cerca de 30 golpes, incluindo socos, cotoveladas e tapas, além de aplicar estrangulamentos contra a vítima. As imagens se tornaram uma das principais provas utilizadas pela Polícia Civil para aprofundar as investigações e solicitar a prisão do suspeito.
Lutador foi liberado após primeira detenção
Lucas chegou a ser detido ainda na quinta-feira, após os ataques. Ele foi encaminhado à Central de Flagrantes, onde passou pelos procedimentos policiais, mas acabou liberado. Na avaliação inicial da ocorrência, o caso foi tratado como uma infração de menor potencial ofensivo, o que resultou na liberação do lutador após os trâmites realizados pela corporação.
A situação mudou depois que os investigadores ouviram vítimas e testemunhas e tiveram acesso às gravações das câmeras de segurança do edifício, obtidas somente na noite de quinta-feira. Com base nos novos elementos reunidos, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão temporária de Lucas. O pedido foi autorizado, e o lutador voltou a ser preso na manhã de sexta-feira (6).
A investigação passou a considerar os crimes de tentativa de feminicídio, lesão corporal, violação de domicílio, resistência e ameaça. A nova prisão ocorreu após a análise das imagens e dos depoimentos, que permitiram às autoridades reavaliar a gravidade das agressões.







Deixe um comentário