Com apenas 36% de aprovação, Trump se torna um dos presidentes mais impopulares da história dos EUA

Pesquisa Reuters/Ipsos mostra que o custo de vida segue como principal foco de insatisfação dos estadunidenses e preocupa aliados republicanos para as eleições legislativas de novembro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua enfrentando dificuldades para reconquistar a confiança da maioria dos estadunidenses. Pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira (15) mostra que sua aprovação permanece em um dos patamares mais baixos de sua trajetória política, alcançando apenas 36%.

Embora o índice represente uma leve alta de um ponto percentual em relação ao levantamento anterior, os números revelam que a avaliação do governo segue fortemente pressionada pela economia, especialmente pelo aumento do custo de vida — tema que domina as preocupações dos eleitores e pode influenciar diretamente o cenário político dos próximos meses.

O levantamento ouviu 1.537 adultos em todo o país ao longo de quatro dias e possui margem de erro de três pontos percentuais. As entrevistas foram realizadas antes e depois de um anúncio feito por Trump no domingo, quando afirmou ter alcançado um entendimento com líderes iranianos para encerrar o conflito entre os dois países, uma guerra que vinha impactando diretamente os preços da energia e dos combustíveis.

Custo de vida continua sendo o principal problema

Se a aprovação geral do presidente apresentou uma discreta melhora, o mesmo não pode ser dito da percepção dos estadunidenses sobre sua condução da economia doméstica.

Apenas 24% dos entrevistados afirmaram aprovar a maneira como Trump lida com o custo de vida. Apesar de representar um avanço em relação aos 22% registrados uma semana antes e aos 20% observados um mês atrás, o índice permanece extremamente baixo para um presidente que fez do combate à inflação uma de suas principais promessas eleitorais.

A desaprovação nessa área caiu de 73% para 69% ao longo do último mês, mas continua refletindo um elevado grau de insatisfação. Para milhões de famílias, os preços elevados seguem pressionando os orçamentos domésticos e reduzindo o poder de compra.

O contraste com o início do atual mandato também chama atenção. Quando retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump registrava 47% de aprovação. A queda de 11 pontos percentuais desde então evidencia a frustração de parte do eleitorado com a lentidão na redução dos custos cotidianos.

Combustíveis ainda pesam no bolso dos consumidores

O levantamento foi realizado em meio às expectativas geradas pelas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

A possibilidade de uma trégua ajudou a aliviar a pressão sobre os mercados internacionais de energia, contribuindo para uma redução recente no preço da gasolina. No entanto, o alívio ainda está longe de ser suficiente para mudar a percepção popular.

Segundo os dados citados pela Reuters, os consumidores estadunidenses continuam pagando aproximadamente um dólar a mais por galão de combustível do que antes do início da escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, registrada no final de fevereiro.

Nos Estados Unidos, o preço da gasolina possui forte peso político. Como é um gasto frequente e facilmente percebido pela população, oscilações nos combustíveis costumam influenciar diretamente a avaliação dos governos e o humor do eleitorado.

Desgaste alcança bases tradicionais do trumpismo

Outro aspecto que preocupa estrategistas republicanos é a erosão do apoio em segmentos historicamente alinhados ao presidente.

A pesquisa indica que a perda de popularidade atingiu grupos considerados fundamentais para a sustentação política de Trump, incluindo eleitores rurais e cristãos evangélicos. Embora esses setores continuem figurando entre os mais favoráveis ao presidente, os sinais de desgaste sugerem que a insatisfação econômica pode estar ultrapassando barreiras ideológicas e partidárias.

A situação se torna ainda mais delicada porque a avaliação negativa sobre o custo de vida supera, segundo o levantamento, até mesmo os índices registrados pelo ex-presidente democrata Joe Biden em tema semelhante.

Democratas aparecem à frente para o Congresso

O cenário também traz alertas para o Partido Republicano na disputa pelas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Entre os eleitores registrados, 41% afirmaram que votariam em candidatos democratas caso a eleição para a Câmara dos Representantes ocorresse hoje. Já os republicanos receberam 38% das intenções de voto.

Embora a diferença esteja dentro de um cenário competitivo, ela é considerada relevante diante das estreitas maiorias que os republicanos defendem atualmente no Congresso. Outros 18% dos entrevistados disseram permanecer indecisos ou inclinados a apoiar candidatos de terceiros partidos.

Entre os eleitores independentes — grupo frequentemente decisivo em disputas equilibradas — a vantagem democrata é ainda maior. Nesse segmento, 35% declararam preferência por candidatos democratas, enquanto apenas 22% optariam por republicanos.

Inflação pode definir o rumo da campanha

A persistência da inflação deve continuar no centro do debate político até novembro.

Relatórios econômicos recentes mostram que a alta dos preços ainda não foi completamente controlada, contrariando as expectativas criadas durante a campanha presidencial. Esse contexto pode representar um desafio não apenas para Trump, mas também para parlamentares republicanos que buscarão a reeleição em distritos competitivos.

Analistas avaliam que a capacidade do governo de demonstrar avanços concretos na redução do custo de vida será determinante para definir o desempenho eleitoral do partido nas urnas.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading