Dani Balbi reage a possível mudança e defende permanência na Comissão de Trabalho

Deputada critica articulações para alterar o comando dos colegiados e afirma que sua atuação esteve voltada à valorização dos trabalhadores e ao desenvolvimento econômico do estado

A nova ofensiva da base governista na reorganização do comando das comissões permanentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) provocou reação da deputada estadual Dani Balbi (PCdoB).

Nesta terça-feira (16), a parlamentar manifestou indignação com a possibilidade de deixar a presidência da Comissão de Trabalho e Seguridade Social, cargo que ocupa desde o início da atual legislatura.

Nos bastidores da Casa, circula a informação de que ele poderá ser substituída por Martha Rocha (PDT) no comando do colegiado. Em contrapartida, a parlamentar do PCdoB assumiria a presidência da Comissão de Combate às Discriminações, atualmente presidida pelo Professor Josemar (Psol).

Caso a mudança seja confirmada, o Psol, que já perdeu as comissões de Defesa dos Direitos Humanos, Defesa dos Direitos das Mulheres e Servidores Públicos, permaneceria à frente apenas da Comissão de Participação Legislativa, presidida pelo deputado Yuri Moura.

Surpresa com a articulação

Ao ocupar a tribuna no expediente final, Dani afirmou que tomou conhecimento da possível mudança por meio da imprensa e criticou a forma como a discussão vem sendo conduzida.

“Eu soube pela mídia de ampla circulação que, a partir de um acúmulo do colégio de líderes e de outras tratativas, eu, Dani Balbi, que desde o início da atual legislatura assumi a presidência da Comissão de Trabalho e Seguridade Social da Assembleia Legislativa, provavelmente serei realocada”, declarou.

A deputada reconheceu que existe uma disputa de interpretações sobre o regimento interno da Casa, mas observou que as movimentações ocorrem em um ambiente político marcado pela polarização entre governo e oposição e pela proximidade do processo eleitoral.

Defesa do trabalho realizado

Grande parte do discurso foi dedicada à defesa das ações desenvolvidas pelo colegiado sob sua presidência. Dani destacou sua trajetória política ligada às pautas trabalhistas e afirmou que a comissão construiu diálogo permanente com sindicatos, categorias profissionais e representantes da classe trabalhadora.

Segundo a parlamentar, uma das principais iniciativas do colegiado foi a mobilização em defesa da atualização do salário mínimo regional. “Foi nesse sentido que nós construímos uma das mais amplas campanhas pelo aumento do salário-mínimo regional”, afirmou.

Ela também citou debates relacionados à geração de empregos, ao desenvolvimento econômico e às condições de trabalho de grupos socialmente vulneráveis.

Críticas à possível substituição

Dani Balbi classificou como inadequada a possibilidade de ser afastada da condução da comissão e argumentou que sua atuação sempre esteve vinculada à defesa dos trabalhadores. “É inadmissível que essa luta seja interrompida”, afirmou.

Em outro momento do pronunciamento, reforçou sua posição contrária à mudança. “Não vejo com a menor razoabilidade a tentativa de nos retirar da condução da Comissão de Trabalho”, declarou.

A deputada também associou a discussão ao embate entre diferentes visões sobre o desenvolvimento econômico do estado e defendeu políticas voltadas à valorização do trabalho, à ampliação dos investimentos produtivos e à geração de empregos.

Disputa pelas comissões

A reorganização das comissões permanentes tem provocado tensão entre parlamentares da oposição e da base governista. O movimento ganhou força após mudanças na composição partidária da Assembleia durante a janela de troca de legendas, que ampliaram o tamanho de algumas bancadas.

Nos últimos dias, o Psol perdeu o comando de três comissões permanentes e já anunciou que vai contestar juridicamente as alterações. Agora, a possível transferência da Comissão de Combate às Discriminações para Dani Balbi e a saída do deputado Professor Josemar do colegiado podem ampliar ainda mais a reconfiguração dos espaços de poder dentro da Assembleia.

Ao encerrar sua fala, Dani Balbi voltou a defender a permanência no cargo e destacou o trabalho desenvolvido pela comissão ao longo da legislatura.

“Nós não admitiremos sair, sermos retiradas da condução, no meu entendimento, exitosa, firme, comprometida com a emancipação do povo trabalhador do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

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