Polêmica sobre assinaturas digitalizadas volta a dominar debate na Alerj e gera bate-boca entre Amorim e Serafini

Debate sobre emendas apresentadas ao projeto de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica provocou novo embate entre parlamentares do PL e do Psol

Nem a véspera do feriado de Corpus Christi foi suficiente para manter o clima de paz na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A sessão plenária desta quarta-feira (3) foi marcada por um acalorado bate-boca entre os deputados Rodrigo Amorim (PL) e Flávio Serafini (Psol), em mais um capítulo da disputa em torno das emendas apresentadas pela bancada do Psol a um projeto de autoria de Amorim voltado à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.

A controvérsia gira em torno da forma como as emendas foram protocoladas. Na sessão anterior, Amorim já havia acusado parlamentares do Psol de apresentarem propostas com assinaturas digitalizadas. Nesta quarta-feira, o líder do governo voltou ao tema e reiterou a acusação de que teria ocorrido uma “fraude” no processo.

Acusação volta ao plenário

Durante seu discurso, Amorim afirmou que o partido estaria criando obstáculos à aprovação de medidas voltadas à defesa das mulheres. O parlamentar declarou que havia feito “a denúncia da fraude que o Psol faz na apresentação de emendas” e afirmou que a legenda seria “inimiga da defesa das mulheres”.

O deputado também criticou a atuação dos parlamentares da sigla durante a tramitação do projeto e disse que integrantes do partido não conheciam o conteúdo das emendas apresentadas.

Resposta do Psol

A reação veio em seguida. Ao usar o microfone, Flávio Serafini rebateu as acusações e afirmou que as emendas protocoladas pertenciam formalmente aos deputados que as subscreveram.

Durante o pronunciamento, o parlamentar atacou a gestão do ex-governador Cláudio Castro da qual Amorim foi líder na Assembleia e afirmou que o deputado fazia “galhofa” ao insistir no tema das assinaturas. Serafini também relacionou sua crítica a investigações e denúncias envolvendo o governo estadual e declarou que Amorim deveria “lavar a boca para falar do Psol”.

“Eles hoje são alvo da Polícia Federal, porque superfaturaram obras bilionárias neste Estado, burlando a Lei de Licitações”, disse. E acrescentou: “O seu governo, que você foi líder, desviou dinheiro que era para reformar as escolas, que poderia ter sido para valorizar os profissionais de Educação em esquemas de corrupção, em esquemas de obras superfaturadas”.

O líder da bancada do Psol ainda argumentou que a polêmica envolvendo o protocolo das emendas não justificava as acusações feitas pelo deputado do PL.

Novo embate e acusações pessoais

Após a fala de Serafini, Amorim retornou ao microfone e elevou o tom da discussão. O deputado respondeu que o colega deveria “lavar a boquinha” antes de falar dele e insinuou que o parlamentar faria uso de drogas ao afirmar que Serafini tinha uma “boca imunda, sabe-se lá de quê, talvez narcóticos”.

Na sequência, Amorim voltou a acusar o partido de ter cometido fraude no protocolo das emendas e afirmou que havia sido utilizado “um scanner muito vagabundo e mal-feito, plagiando as assinaturas” dos parlamentares.

O deputado também classificou integrantes da bancada do Psol como “desidiosos” e “irresponsáveis” e chamou Serafini de “inútil” durante o pronunciamento. “Não venha justificar as calhordices do seu partido, dentre elas a fraude que V.Exas. fizeram ontem”, declarou.

Com o clima cada vez mais tenso, a deputada Tia Ju (Republicanos), que presidia a sessão, precisou intervir diversas vezes para encerrar a discussão e impedir que o debate continuasse. Ao final da troca de acusações, a parlamentar informou que não abriria mais a palavra para manifestações sobre o tema.

Tensão já havia começado na CCJ

O confronto entre Amorim e integrantes do Psol, porém, começou ainda pela manhã. Durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado já havia se desentendido com a deputada Dani Monteiro durante a análise do projeto cultura sem partido.

Na ocasião, Amorim, que é presidente da CCJ, também fez insinuações sobre o uso de drogas por parte da parlamentar, ampliando o clima de tensão entre o PL e o Psol ao longo de toda a quarta-feira na Assembleia Legislativa.

Com os dois episódios registrados no mesmo dia, a disputa em torno das emendas e dos projetos em tramitação acabou transformando a sessão da véspera do feriado em um dos momentos mais tensos do plenário da Alerj nas últimas semanas.

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