Clima esquenta na CCJ após debate sobre projeto de cultura sem partido

Sessão realizada no plenário para receber estudantes de Direito terminou marcada por troca de provocações entre deputados durante discussão sobre proposta que restringe uso de recursos culturais para fins político-partidários

A sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), realizada nesta quarta-feira (3), teve um roteiro diferente do habitual. Por conta da visita de estudantes dos cursos de Direito da Unigranrio e da Universidade de Nova Iguaçu (UNIG), os trabalhos foram transferidos para o plenário da Casa com o objetivo de proporcionar uma experiência pedagógica aos alunos, permitindo que acompanhassem discussões técnicas e de mérito sobre projetos em tramitação.

A intenção era realizar uma sessão didática, sem embates ideológicos, apresentando aos estudantes o funcionamento do processo legislativo e a análise de constitucionalidade das propostas. No entanto, a discussão de um dos itens da pauta acabou elevando o tom do debate entre parlamentares da base bolsonarista e da oposição.

Projeto em discussão

O episódio ocorreu durante a análise do Projeto de Lei 7.107/26, de autoria do deputado Thiago Gagliasso (PL). A proposta cria o programa Cultura sem Partido e prevê a vedação do uso de recursos públicos de fomento à cultura para finalidades político-partidárias.

Durante a discussão sobre a legalidade da medida, parlamentares debateram a abrangência do texto. Houve a sugestão de retirada do termo “político”, sob o argumento de que a expressão seria genérica e poderia gerar interpretações amplas sobre manifestações culturais.

Foi nesse contexto que a deputada Dani Monteiro (Psol) citou, em tom de ironia, a música “Zé do Caroço”, composição de Leci Brandão criada durante o período da ditadura militar. Segundo a parlamentar, uma obra como aquela poderia não ter sido produzida caso uma iniciativa semelhante estivesse em vigor na época.

Troca de provocações

A referência feita pela deputada motivou reações do presidente da CCJ, Rodrigo Amorim (PL), e do deputado Alexandre Knoploch (PL), que afirmaram não ter compreendido o argumento apresentado.

Em resposta, Dani Monteiro afirmou que algumas pessoas teriam dificuldade de cognição para compreender determinados assuntos. A declaração provocou reação de Amorim, que disse que passaria em qualquer teste de uso de drogas, ao contrário de integrantes do partido da deputada.

“Mas é esse o tema da pauta, presidente?”, questionou Dani Monteiro durante a discussão. Na sequência, Amorim voltou a provocar a parlamentar ao perguntar se ela estaria disposta a realizar o exame mencionado.

Retomada dos trabalhos

Após a troca de farpas, a deputada afirmou que aquele não era o tema em debate e ressaltou que a sessão não deveria se transformar em um embate ideológico. O presidente da comissão concordou com a observação.

Os dois parlamentares acabaram se desculpando pelo ocorrido e o debate retornou ao tema original da pauta. Apesar do episódio, a sessão prosseguiu normalmente, diante dos estudantes que acompanhavam os trabalhos no plenário como parte da atividade pedagógica promovida pela comissão.

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