O senador Flávio Bolsonaro atribuiu nesta terça-feira (3) ao que chamou de comportamento “agressivo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação aos Estados Unidos a proposta de criação de uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. Durante encontro com produtores rurais e representantes do setor supermercadista em Minas Gerais, o parlamentar afirmou esperar que o presidente norte-americano, Donald Trump, recue da medida e atenda ao pedido feito por ele em defesa das exportações brasileiras.
As declarações ocorrem em meio à discussão sobre uma proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa extra de 25% a determinados produtos brasileiros. Segundo Flávio, a iniciativa seria consequência da deterioração das relações diplomáticas entre os dois países durante o governo Lula.
“Essa taxa, essa tarifa, é do Lula. É por causa do seu comportamento de agressão aos Estados Unidos que as empresas brasileiras podem acabar sendo penalizadas. E, mais uma vez, eu enviei uma carta para o governo americano pedindo que não houvesse mais essa tarifação. Vamos aguardar que ele atenda ao meu anseio”, declarou o senador.
Senador critica aproximação com a China
Na avaliação de Flávio Bolsonaro, a política externa do governo federal tem priorizado a aproximação com a China em detrimento da relação com os norte-americanos, principal parceiro comercial do Brasil em diversos setores.
“O Lula começa a ignorar a relação comercial para os Estados Unidos, para se rastejar e lamber as botas para a China, quando o presidente da República tem que sentar com os Estados Unidos, tem que sentar com a China, tem que sentar com todo mundo pensando no que é melhor para o povo brasileiro”, afirmou.
O senador defendeu que o Brasil mantenha relações equilibradas com diferentes potências econômicas, buscando oportunidades comerciais sem comprometer interesses nacionais.
Entenda a proposta de tarifa
A discussão sobre a taxação teve origem em uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos em 2025. O governo norte-americano concluiu que algumas políticas adotadas pelo Brasil poderiam representar restrições ou prejuízos ao comércio bilateral.
Entre os pontos citados estão regras relacionadas ao Pix, ações de combate ao desmatamento ilegal, regulamentação de plataformas digitais, proteção à propriedade intelectual e medidas de combate à corrupção. Com base nessas conclusões, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Apesar disso, a medida ainda não foi implementada. O processo depende de etapas administrativas e consultas públicas antes de qualquer decisão definitiva por parte do governo norte-americano.
Economia, infraestrutura e agronegócio
Além da questão comercial, Flávio Bolsonaro aproveitou o evento para defender investimentos em infraestrutura como forma de estimular o crescimento econômico. O senador citou obras em rodovias, aeroportos e ferrovias realizadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu maior fiscalização das concessões rodoviárias.
Na área econômica, voltou a criticar o governo Lula, relacionando os juros elevados ao que considera falta de equilíbrio fiscal. Segundo ele, a situação afeta tanto consumidores quanto empresas.
O parlamentar também destacou a importância do agronegócio para a economia nacional e defendeu a ampliação do crédito rural, mais previsibilidade para os produtores e redução da carga tributária, especialmente sobre alimentos. Flávio ainda pregou cortes de gastos públicos, diminuição do número de ministérios e maior rigor no combate às facções criminosas que atuam em áreas rurais.





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