Lula comemora recuo de Trump em tarifas sobre produtos brasileiros

EUA retiram sobretaxa de 40% sobre mais de 200 itens, incluindo café e carne; governo brasileiro aposta no diálogo para reverter o restante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (20) que recebeu “com felicidade” a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de começar a retirar tarifas adicionais impostas a produtos brasileiros. O anúncio, feito durante discurso de Lula no Salão do Automóvel, em São Paulo, sinaliza um alívio para exportadores e reacende o otimismo no setor externo em meio ao cenário de tensão comercial.

“Hoje eu estou feliz porque o presidente Trump já começou a reduzir algumas taxações que tinha feito em alguns produtos brasileiros. Essas coisas vão acontecer na medida que a gente consiga galgar respeito das pessoas”, afirmou Lula, ressaltando que a postura do Brasil sempre foi de cautela e diálogo.

Tarifaço: o que Trump revogou

A Casa Branca publicou a retirada da tarifa de 40% sobre mais de 200 produtos brasileiros, que passam a integrar a lista de exceções do tarifaço imposto em agosto. Entre os principais itens beneficiados estão:

  • Café
  • Carne bovina
  • Açaí
  • Cacau e derivados
  • Frutas tropicais (banana, laranja, manga)
  • Sucos de frutas e especiarias
  • Peças de aeronaves
  • Petróleo e derivados
  • Alguns fertilizantes à base de amônia

A decisão vale para mercadorias que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro, mesma data em que ocorreu uma reunião entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tratar das sobretaxas.

Além disso, o governo Trump determinou o reembolso dos impostos cobrados desde essa data, com o objetivo de alinhar a medida à decisão anterior, de 14 de novembro, que reduziu tarifas “recíprocas” sobre importações agrícolas de vários países.

Lula: “Não tomo decisão com 39 graus de febre”

Durante o discurso no evento, Lula afirmou que evitou decisões precipitadas quando os EUA anunciaram o tarifaço, reforçando que a estratégia brasileira foi agir com serenidade:

“Quando o presidente dos EUA tomou a decisão de fazer a supertaxação no mundo inteiro, todo mundo entrou em crise. Eu não costumo tomar decisão com 39 graus de febre. Espero abaixar, porque senão a gente comete erros.”

O presidente também destacou que diferenças ideológicas não impedem o diálogo institucional: “Ninguém é obrigado a concordar com ninguém. O que nós temos que ser é respeitosos uns com os outros e admitir o exercício da democracia”.

Negociações continuam

Em comunicado oficial, Donald Trump afirmou que a decisão foi tomada após uma conversa direta com Lula, na qual ambos concordaram em iniciar negociações formais para tratar das medidas que motivaram o decreto de sobretaxação.

Segundo o republicano, autoridades norte-americanas avaliaram que “houve progresso inicial nas negociações com o governo do Brasil”, o que tornou desnecessária, neste momento, a manutenção integral das tarifas.

Mesmo assim, parte das taxas ainda permanece em vigor. Segundo Lula, o governo brasileiro seguirá buscando “diálogo e racionalidade” para tentar a retirada total das medidas.

Impacto na economia brasileira

A retirada parcial das tarifas beneficia diretamente setores estratégicos da economia, como:

  • Agronegócio, especialmente café, carne e frutas
  • Indústria de alimentos e bebidas
  • Setor de aviação e petróleo, com impacto nas exportações de maior valor agregado

A medida pode melhorar o desempenho da balança comercial brasileira com os Estados Unidos, que são um dos principais parceiros comerciais do país.

Clima político e agenda em São Paulo

Lula participou do evento acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Durante a cerimônia, o presidente elogiou a importância do Salão do Automóvel, mas também fez uma crítica ao preço dos ingressos cobrados do público.

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