Projeto sobre defesa pessoal para mulheres sai de pauta após receber emendas e gerar embate na Alerj sobre assinaturas ‘escaneadas’

Rodrigo Amorim questiona forma de apresentação das alterações pelo Psol e Alexandre Knoploch pede que emendas sejam rejeitadas

Um projeto que busca ampliar os mecanismos de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica acabou retirado da pauta da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (2), após receber emendas parlamentares durante a votação em primeira discussão.

O texto, de autoria dos deputados Rodrigo Amorim (PL) e Sarah Poncio (Solidariedade), voltará a ser analisado pelas comissões da Casa antes de retornar ao plenário. A discussão da proposta também foi marcada por um embate envolvendo a forma como parte das emendas foi apresentada.

Amorim criticou a atuação da bancada do Psol, enquanto Alexandre Knoploch (PL) defendeu que as alterações protocoladas sejam rejeitadas pela Mesa Diretora.

O que muda na proposta

O projeto altera a legislação que criou o Programa de Defesa Pessoal para Mulheres Vítimas ou Ameaçadas de Violência Doméstica no estado do Rio de Janeiro.

Pela proposta, mulheres maiores de 18 anos poderão adquirir e portar dispositivos de incapacitação neuromuscular por eletrochoque e sprays à base de extratos vegetais para defesa pessoal.

O texto também prevê a possibilidade de acesso aos equipamentos por adolescentes a partir de 16 anos que sejam vítimas de violência doméstica, desde que tenham autorização dos responsáveis.

Segundo os autores, a medida é voltada especialmente para mulheres que já possuem medidas protetivas e buscam ampliar sua segurança pessoal.

Críticas às emendas

Durante a discussão da matéria, Amorim afirmou que o projeto recebeu emendas apresentadas pela bancada do Psol e questionou a forma como elas foram protocoladas.

Segundo o parlamentar, as propostas teriam sido encaminhadas com assinaturas digitalizadas, e não assinadas manualmente pelos deputados. “Não é a primeira vez que a bancada do PSOL, contrariando o que está disposto no Regimento, escaneia a assinatura de deputados”, afirmou em plenário.

Amorim também declarou que a apresentação das emendas retiraria a proposta da pauta e faria o texto retornar para nova análise antes da votação definitiva.

Knoploch pede rejeição

Ao participar do debate, Knoploch reforçou as críticas e defendeu que as emendas não sejam aceitas pela Assembleia. “O Regimento Interno é muito claro: a assinatura há de ser de próprio punho”, declarou.

O deputado também fez um apelo para que a secretaria da Casa adote maior rigor na conferência dos documentos protocolados. Apesar da controvérsia, Knoploch elogiou o conteúdo do projeto e afirmou que a iniciativa representa um avanço nas políticas de proteção às mulheres.

Nova análise

Com a apresentação das emendas, o projeto saiu de pauta e retornará às comissões competentes para análise das alterações sugeridas pelos parlamentares.

Somente após essa etapa a proposta poderá voltar ao plenário para nova discussão e votação. Se aprovado em definitivo pela Alerj, o texto ainda dependerá da sanção ou veto do governador para entrar em vigor.

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