O clima de tensão entre parlamentares voltou a marcar os debates na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Uma semana após o PL acionar a líder do Psol na Casa por conta do episódio envolvendo a deputada Sarah Poncio (Solidariedade), a deputada Renata Souza utilizou a tribuna nesta terça-feira (2) para rebater ataques que afirma sofrer há anos no Parlamento e anunciar uma representação no Conselho de Ética contra Rodrigo Amorim (PL)
Sem citar nominalmente o deputado, com quem protagonizou o mais recente embate, Renata afirmou que pretende levar o caso às instâncias internas da Assembleia e voltou a acusar o parlamentar de praticar violência política de gênero.
O pronunciamento ocorreu durante um discurso em que a deputada também comentou a rejeição das contas de 2025 do ex-governador Cláudio Castro pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e defendeu a instalação da CPI do Banco Master.
CPI e críticas ao governo
Ao iniciar sua fala, Renata associou a decisão do TCE à necessidade de aprofundar investigações sobre operações financeiras envolvendo recursos públicos estaduais.
Segundo a parlamentar, a Assembleia deveria concentrar esforços na discussão da CPI do Banco Master e na fiscalização da aplicação dos recursos do Rioprevidência.
“A gente está falando do maior escândalo financeiro deste país”, afirmou ao defender a criação da comissão parlamentar de inquérito.
Relato de violência política
Ao longo do discurso, a deputada afirmou que enfrentou mais um episódio de violência política de gênero durante os debates da semana passada. Renata relatou que, enquanto defendia a CPI do Banco Master em plenário, ouviu uma provocação de conotação sexual vinda de outro parlamentar. “Eu fui ultrajada, fui violentada”, declarou.
Segundo ela, situações semelhantes vêm se repetindo desde que ingressou na Assembleia Legislativa. “Tenho denunciado, mas durante esses oito anos tenho sido perseguida dioturnamente”, afirmou.
Representação no Conselho de Ética
A deputada anunciou que protocolou uma representação no Conselho de Ética da Casa para que o episódio seja analisado formalmente. “Espero que seja apreciado com o mesmo rigor ou com a mesma pressa que vejo naqueles que tentam interditar a minha atuação política”, declarou.
Renata também afirmou que reuniu documentos, registros audiovisuais e transcrições de episódios ocorridos ao longo de seus mandatos e que pretende utilizá-los para fundamentar as denúncias. “Não vão contar com o meu silêncio, não vão contar com a minha omissão ou com a minha negligência”, afirmou.
Ao encerrar o discurso, a deputada reiterou que continuará denunciando o que considera irregularidades na administração pública e cobrando investigações sobre o caso Banco Master, mesmo diante dos conflitos políticos que vêm se acumulando dentro da Assembleia.






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