PL anuncia representação contra Renata Souza e disputa por comando da Comissão da Mulher na Alerj

Partido acusa deputada do Psol de violência política de gênero contra Sarah Poncio após bate-boca em sessão sobre CPI do Banco Master

A discussão em torno da criação da CPI do Banco Master ampliou a tensão política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e abriu uma nova disputa entre parlamentares do PL e do Psol.

Durante a sessão desta quarta-feira (27), o líder do PL na Casa, Filippe Poubel, anunciou que o partido irá apresentar uma representação no Conselho de Ética contra a deputada Renata Souza (Psol) por suposta violência política de gênero contra a deputada Sarah Poncio (Solidariedade).

Além da representação, o PL informou que também pretende reivindicar a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, atualmente comandada por Renata Souza.

O partido argumenta que, com base na proporcionalidade partidária e diante do episódio ocorrido em plenário, a deputada teria perdido as condições políticas de permanecer à frente do colegiado. O episódio teve origem na sessão de terça-feira (26), durante um bate-boca entre Renata Souza e o deputado Rodrigo Amorim.

Representação no Conselho de Ética

Ao anunciar a medida, Filippe Poubel afirmou que o partido considera que houve exposição pública da Sarah Poncio durante a discussão em plenário. “Imagina um homem virar para uma deputada e falar: ‘respeita seu homem’. Isso geraria uma repercussão enorme. O que aconteceu expôs a Sarah Poncio e todas as mulheres desta Casa”, declarou.

O parlamentar também afirmou que o partido pretende cobrar posicionamento das deputadas da Assembleia em relação ao caso. “Vamos representar no Conselho de Ética contra a deputada. Quero ver a atitude de todas as mulheres desta Casa, se vão assinar essa representação. A Assembleia não pode agir com dois pesos e duas medidas”, disse Poubel.

Disputa pela Comissão da Mulher

Durante a sessão, o deputado Alexandre Knoploch afirmou que o PL também irá solicitar a revisão da composição da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher com base no critério de proporcionalidade partidária.

“O PL também vai requisitar que seja cumprida a proporcionalidade da Comissão da Mulher, pois a deputado perdeu a condição de ficar a frente do colegiado”, afirmou. A deputada Índia Armelau (PL) também comentou o episódio e criticou a condução do caso no plenário. “O que vi com a Sarah não se faz. Não vou admitir que isso aconteceu”, declarou.

Defesa de Renata Souza

Ao responder às críticas, Renata Souza afirmou que tem sido alvo de perseguição política e negou ter direcionado a declaração nominalmente à deputada Sarah Poncio. “Todos nós somos testemunhas de que sou vítima de violência política de gênero. Inclusive, já levei isso à Justiça”, afirmou.

A parlamentar também declarou que a frase dita durante a discussão foi uma reação ao ambiente de tensão no plenário. “Foi apenas uma fala pedindo respeito. Eu não citei o nome de ninguém”, disse.

Renata afirmou ainda que lamenta os desdobramentos do episódio e criticou o que classificou como tentativa de enfraquecer sua atuação política e parlamentar.

“É lamentável que isso gere uma tentativa de exclusão do meu trabalho. Já atendi mais de 700 mulheres. Não me orgulho que minha fala tenha atingido mulheres, mas esse expediente está sendo usado para perpetuar essa política contra mim”, declarou.

A deputada acrescentou que irá adotar medidas em resposta às acusações. “Com muita tranquilidade recebo essa informação, e minhas providências também serão tomadas”, afirmou.

Clima de tensão no plenário

O episódio ocorreu durante a discussão sobre a criação da CPI do Banco Master. Segundo relatos feitos em plenário, Rodrigo Amorim teria afirmado, fora do microfone, que Renata Souza teria um “fetiche” nele.

Na sequência, a deputada respondeu da tribuna com uma fala direcionada ao parlamentar em referência à deputada Sarah Poncio, que estava ao lado dele durante a sessão.

O líder do Psol na Alerj, Flávio Serafini, saiu em defesa de Renata Souza e criticou o uso político do episódio. “O deputado Rodrigo Amorim ficou falando que tinha fetiche. Isso foi o início da confusão. Estão se apropriando de uma luta histórica das mulheres”, afirmou.

Serafini também disse que a banalização do conceito de violência política de gênero pode enfraquecer debates relacionados à proteção das mulheres na política. “Violência política de gênero se dá entre um homem contra uma mulher. Não entre pessoas do mesmo gênero. Fazer isso é jogar no lixo uma luta histórica construída ao longo de décadas.”, declarou.

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