A maioria dos diretórios estaduais de União Brasil-PP e Republicanos decidiu manter distância tanto do PT quanto do PL na corrida eleitoral de 2026. Até agora, 25 comandos dessas legendas optaram pela neutralidade, enquanto 16 fecharam palanques para Flávio Bolsonaro e 11 se alinharam aos petistas.
A estratégia foi adotada inclusive em estados considerados fundamentais para os dois principais polos da disputa presidencial, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. O movimento reflete o cálculo de lideranças do Centrão para preservar espaço de negociação com o próximo governo, independentemente do resultado das urnas.
As decisões também levam em conta as disputas para o Congresso Nacional e a avaliação sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro na pré-campanha. Embora União Brasil-PP e Republicanos tenham negociado uma possível aliança nacional com o candidato do PL, as siglas acabaram escolhendo não assumir formalmente um dos lados.
Minas, Rio e Paraná ficam fora do alinhamento
Em Minas Gerais, o Republicanos lançou o senador Cleitinho Azevedo para a disputa pelo governo estadual. Ele terá como principal adversário Flávio Roscoe, do PL, que conta com o apoio de Flávio Bolsonaro.
A federação União-PP, por sua vez, indicou o vice da chapa de Mateus Simões, do PSD, candidato apoiado pelo governador Romeu Zema. O cenário mantém a direita dividida no segundo maior colégio eleitoral do país.
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro também não conseguiu formar um palanque unificado com os partidos do Centrão. A federação União-PP optou pela neutralidade, enquanto o Republicanos lançou Anthony Garotinho, cuja candidatura ainda poderá ser retirada ou cassada pela Justiça Eleitoral.
No Paraná, a situação também evidencia a dificuldade de unificação. O PL lançou Sergio Moro ao governo estadual, mas ele não conseguiu obter consenso dentro da federação União Brasil-PP. O PP, comandado nacionalmente por Ciro Nogueira, se opôs à candidatura.
São Paulo foge à regra nacional
Em São Paulo, cenário é diferente. O Republicanos decidiu apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas e também declarou apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que a decisão paulista foi diferente da orientação predominante na legenda. Segundo ele, a maioria dos estados defendeu a neutralidade nacional, mas São Paulo acabou sendo voto vencido.
O estado concentra o maior eleitorado do país e, por isso, tornou-se um dos principais palanques para a campanha de Flávio. A composição reúne ainda nomes do PP e do Republicanos nas disputas pelo Senado e pelo governo estadual.
Neutralidade favorece negociações com Lula
A posição adotada pelas legendas foi recebida positivamente por aliados do presidente Lula. Sem uma adesão nacional ao PL, Flávio Bolsonaro terá uma estrutura menor de tempo de propaganda e acesso a recursos partidários do que teria caso União Brasil-PP e Republicanos tivessem fechado apoio formal à sua candidatura.
A decisão também abriu espaço para aproximações entre integrantes do Centrão e o governo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que aguardava a definição do Republicanos para tornar público seu apoio à reeleição de Lula.
No Senado, aliados do presidente também esperam uma aproximação maior de Davi Alcolumbre. No Amapá, o União Brasil participa da mesma aliança estadual que o PT, cenário que reforça a possibilidade de atuação política independente da posição nacional da legenda.
Flávio tenta reduzir impacto da decisão
Apesar da perda do apoio formal das siglas, Flávio Bolsonaro afirmou que deverá contar com o apoio de lideranças de União Brasil-PP e Republicanos em diferentes estados.
O candidato do PL, entretanto, reconheceu que a ausência de uma aliança nacional prejudica sua campanha principalmente na distribuição do tempo de televisão e das inserções eleitorais.
O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, também destacou que a ampliação do tempo de propaganda era uma das principais preocupações durante as negociações com os partidos.
A estratégia do Centrão, portanto, mantém abertas diferentes possibilidades para as eleições de 2026. Ao evitar uma adesão nacional a Lula ou Flávio, as legendas preservam alianças regionais e ampliam sua capacidade de negociação diante da disputa pelo Palácio do Planalto e pelo Congresso.







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