Golpe do vale-gás: quadrilha do Alemão usava rosto de idosos para empréstimos; vídeo

Grupo mantinha escritório no Complexo do Alemão e usava falso cadastro em programa social para obter dados e reconhecimento facial das vítimas

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Uma falsa promessa de acesso ao vale-gás era a porta de entrada para um esquema que terminava com empréstimos, contas bancárias abertas e dinheiro retirado em nome de idosos. A Polícia Civil do Espírito Santo identificou dez integrantes de uma organização criminosa que, segundo a investigação, usava até o reconhecimento facial das vítimas para cometer as fraudes.

O grupo tinha base no Rio de Janeiro e mantinha um escritório no Complexo do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense. Segundo a Polícia Civil, os investigados tinham entre 20 e 35 anos e também atuavam no Rio, em Minas Gerais e em Alagoas.

Somente no Espírito Santo, 58 boletins de ocorrência relacionados a essa modalidade de golpe foram registrados em 2025. O prejuízo estimado das vítimas chega a aproximadamente R$ 2 milhões.

As informações sobre a conclusão da investigação foram divulgadas nesta terça-feira (29). Duas pessoas haviam sido presas em setembro de 2025 e outras oito foram indiciadas.

Falso cadastro coletava rosto das vítimas

Segundo a investigação, o golpe começava com o contato de criminosos que se apresentavam como representantes de programas sociais. Eles informavam aos idosos que havia um benefício disponível e que seria necessário realizar um cadastro para recebê-lo.

O vale-gás não era o único chamariz. Os suspeitos também utilizavam falsas ofertas relacionadas à Farmácia Cidadã e à distribuição de cestas básicas.

Durante o primeiro contato, segundo a polícia, o grupo procurava descobrir até mesmo os horários em que as vítimas permaneciam sozinhas em casa. Depois, uma pessoa era enviada à residência para supostamente concluir o cadastro.

O procedimento servia, na realidade, para obter dados pessoais e realizar o reconhecimento facial da vítima.

Segundo o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), as informações eram utilizadas para abertura de contas e outras operações financeiras.

“Esse cadastro é a coleta de dados de reconhecimento facial, abertura de contas, portabilidade do salário da vítima”, explicou o delegado.

Empréstimos e antecipação do 13º

De posse das informações, os criminosos conseguiam realizar diferentes operações em nome dos idosos, segundo a investigação.

A polícia afirma que o grupo antecipava o 13º salário das vítimas, contratava empréstimos e, em alguns casos, sacava benefícios sociais e outros valores existentes nas contas bancárias.

O esquema foi reconstruído pelos investigadores também a partir de mensagens trocadas entre os suspeitos nas redes sociais.

As conversas revelaram que os integrantes utilizavam linguagem empresarial para tratar das fraudes. As vítimas eram chamadas de “clientes”, os golpes eram tratados como “contratos” e o ponto de encontro dos suspeitos era chamado de “escritório”.

Grupo tinha base no Complexo do Alemão

Segundo a Polícia Civil, os dez investigados são do Rio de Janeiro. A organização mantinha sua estrutura no Complexo do Alemão e teria levado o esquema para outros estados.

Quatro investigados são apontados como integrantes da alta cúpula do grupo: Daniel André Miranda Paz de Oliveira, Antonio Cesar Sousa Ferreira, Walter Martins de Souza Neto e Bárbara Pena Corrêa.

Também foram indiciados Vitória de Freitas da Silva, Jessica Ferreira da Silva, Barbara Victoria dos Santos da Paz e Josiane Ribeiro da Silva Oliveira.

Joyce Máximo da Silva, de 34 anos, e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, de 32, estão presos.

O grupo foi indiciado por sete crimes de estelionato contra quatro vítimas e por organização criminosa. Segundo a investigação, os quatro apontados como integrantes da cúpula podem ter as penas agravadas em caso de condenação.

Como evitar o golpe

A Polícia Civil orienta que idosos e familiares desconfiem de pessoas que aparecem em residências ou entram em contato por telefones desconhecidos alegando representar programas de assistência social.

A recomendação é nunca entregar informações pessoais ou bancárias nem realizar reconhecimento facial a pedido de desconhecidos.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno, eventuais ofertas de benefícios devem ser confirmadas diretamente com o órgão público ou instituição financeira responsável.

“Tem que ser feita uma validação e contato com canais oficiais e, tendo dúvidas, vá presencialmente à instituição bancária ou órgão público para ter certeza e não acabar caindo em golpes”, orientou.

A polícia também alerta que serviços de assistência social não costumam exigir pagamento como condição para liberação de benefícios. Diante de abordagens suspeitas, a orientação é interromper o contato e buscar os canais oficiais antes de fornecer qualquer dado.

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