Exportações do Brasil driblam tarifaço e crescem US$ 23 bilhões

Vendas brasileiras avançam com novos mercados enquanto exportações para os Estados Unidos recuam US$ 2,6 bilhões até agosto

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O tarifaço dos Estados Unidos reduziu as vendas brasileiras ao mercado americano, mas não impediu o avanço das exportações do país. Nos oito primeiros meses de 2026, o Brasil exportou cerca de US$ 23 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado, em um movimento marcado pelo crescimento das vendas para China, Índia e países europeus.

Dados oficiais do Ministrio do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras somaram US$ 250,86 bilhões entre janeiro e agosto, alta de 10,3% sobre igual período de 2025. No mesmo intervalo, as vendas aos Estados Unidos recuaram 9,7%, de US$ 26,7 bilhões para US$ 24,1 bilhões.

Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, os números refletem a capacidade das empresas brasileiras de buscar novos destinos diante das barreiras impostas pelos Estados Unidos.

“Das 2.400 empresas que exportavam para os EUA em maio de 2025, 78% já estavam exportando para outros mercados em junho deste ano”, afirmou Müller.

Índia quase dobra compras do Brasil

Um dos movimentos mais expressivos ocorreu na Índia. As exportações brasileiras para o país chegaram a US$ 7,35 bilhões entre janeiro e agosto, contra US$ 3,70 bilhões no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 98,4%, equivalente a aproximadamente US$ 3,64 bilhões.

No ranking acumulado até agosto, a Índia aparece como o quinto maior destino das exportações brasileiras. Müller destacou que, considerando o desempenho mais recente, o país asiático ganhou rapidamente espaço entre os principais compradores do Brasil.

A China, por sua vez, ampliou ainda mais sua liderança. As vendas brasileiras ao mercado chinês passaram de US$ 67,04 bilhões para US$ 77,07 bilhões, crescimento de 15% e acréscimo superior a US$ 10 bilhões.

O desempenho contrasta com o dos Estados Unidos. Apesar de permanecerem como o segundo maior destino das exportações brasileiras no acumulado do ano, as compras americanas caíram cerca de US$ 2,6 bilhões.

Europa também ganha espaço

O comércio com a Europa apresentou outra mudança relevante. Segundo Müller, considerando o recorte utilizado pela ApexBrasil, a balança com o continente passou de déficit de US$ 885 milhões entre janeiro e agosto de 2025 para superávit de aproximadamente US$ 5 bilhões no mesmo intervalo deste ano.

Os dados do MDIC para a União Europeia, um recorte geográfico diferente, também apontam expansão: as exportações brasileiras ao bloco cresceram 15% e chegaram a US$ 37,29 bilhões até agosto. Pelo critério oficial do MDIC, o saldo comercial com a União Europeia foi positivo em US$ 3,29 bilhões.

O Brasil também busca ampliar relações comerciais com países africanos, com atenção para mercados como África do Sul, Angola, Etiópia e Nigéria.

Nem todos conseguiram escapar das tarifas

A diversificação, porém, não elimina os efeitos das tarifas americanas sobre determinados setores. Müller aponta os segmentos têxtil, calçadista e moveleiro entre os mais afetados, especialmente por produzirem mercadorias adaptadas ao consumidor dos Estados Unidos e enfrentarem concorrência internacional elevada.

A economista Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da Uerj, observa que grandes empresas possuem mais condições de redirecionar mercadorias porque já dispõem de redes internacionais de fornecedores e compradores. Pequenas e médias companhias encontram mais dificuldade, sobretudo em setores de produtos customizados.

Em agosto, a ApexBrasil lançou um Plano de Diversificação de Exportações destinado justamente às empresas afetadas pelas tarifas. O programa prevê R$ 210 milhões em investimentos para alcançar 5.300 companhias, com iniciativas de inteligência de mercado, promoção comercial, aproximação com compradores e participação em feiras internacionais.

Diversificação vira estratégia

Para Müller, a intenção das empresas não é abandonar os Estados Unidos, mas reduzir a dependência de um único mercado. Os números mostram que esse movimento já ganhou dimensão relevante.

Entre janeiro e agosto, enquanto as exportações para os EUA diminuíram 9,7%, as vendas para a China cresceram 15% e as destinadas à Índia avançaram 98,4%. No total, o Brasil acumulou US$ 250,86 bilhões em exportações e registrou superávit comercial de US$ 55,32 bilhões, 28,2% superior ao do mesmo período de 2025.

A mudança no mapa das exportações, portanto, ajuda a explicar como o comércio exterior brasileiro continuou avançando mesmo diante da redução das vendas ao segundo maior mercado externo do país.

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