Imagens de câmeras espalhadas pela Zona Sul do Rio permitiram reconstituir os passos de suspeitos envolvidos no espancamento que provocou a morte de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, em Copacabana. O material foi produzido pela Central de Inteligência da Prefeitura do Rio (Civitas Rio), a pedido da Polícia Civil, e passou a integrar a investigação conduzida pela 12ª DP (Copacabana).
A reconstituição reúne registros de diferentes pontos de monitoramento e mostra a movimentação dos investigados ao longo da noite do dia 11 e da madrugada seguinte. Quatro homens apontados como participantes das agressões já estão presos temporariamente.
Segundo a Civitas Rio, os agentes cruzaram “horários, imagens e deslocamentos”, o que permitiu acompanhar suspeitos por diferentes ruas e pontos da Zona Sul. As informações foram reunidas em relatórios técnicos e imagens encaminhados à Polícia Civil.
Câmeras reconstituem crime
A cronologia começa às 22h54, quando Cláudio Rafael chega de bicicleta a uma farmácia em Copacabana. Cerca de meia hora depois, ele aparece novamente nas imagens, desta vez acompanhado por dois homens que conduziam a bicicleta.
Segundo a investigação, Cláudio tentava recuperar o veículo, que pertencia a uma de suas irmãs e havia sido tomado pelos homens após ele ser confundido com um ladrão de bicicletas.
Às 23h44, as imagens registram o início das agressões. Um dos envolvidos pega um pedaço de madeira e golpeia Cláudio. Cerca de um minuto depois, um veículo se aproxima do ponto onde ocorria o espancamento e permanece na região por aproximadamente três minutos.
O material também acompanha a movimentação dos investigados depois do crime. Por volta da meia-noite, dois suspeitos aparecem pedalando com mochilas do iFood. Eles passam por ruas de Copacabana, pontos utilizados por entregadores e estabelecimentos de alimentação.
Os registros indicam que os homens continuaram fazendo entregas depois das agressões. Assista:
Quatro estão presos
O vídeo mostra a participação dos seguranças de rua clandestinos Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias e dos entregadores de aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Os quatro estão presos temporariamente.
A Polícia Civil ainda trabalha para identificar outro suspeito de participação no espancamento.
Cláudio foi agredido durante cerca de nove minutos. Laudo pericial divulgado pelo Fantástico apontou que ele recebeu 63 pauladas. Davi Santos Machado, apontado como principal autor das agressões, chegou a registrar parte do espancamento com o próprio celular enquanto também golpeava a vítima com um cassetete.
Após as agressões, Cláudio permaneceu aproximadamente 30 minutos no local até a chegada do Corpo de Bombeiros. Ele foi levado ao Hospital Miguel Couto, na Gávea, mas morreu horas depois, já na madrugada do dia 12.
Laudo aponta lesões graves
O laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal apontou como causas da morte hemorragia interna, traumatismo cranioencefálico e lesões no baço e no rim esquerdo provocadas por ação contundente. O exame também identificou fraturas no crânio, hemorragias cerebrais e lacerações no baço.
No fim de semana, a Justiça manteve as prisões temporárias dos quatro investigados após audiência de custódia. Eles estão no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte.
Os magistrados responsáveis pela análise consideraram regulares os mandados e entenderam que permanecem válidos os fundamentos que levaram às prisões temporárias.
A investigação continua sob responsabilidade da 12ª DP (Copacabana), que busca individualizar a participação de cada envolvido e identificar outros suspeitos.







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