Carros clonados: Porsche a R$ 25 mil expõe esquema nas redes sociais

Polícia identificou 81 veículos anunciados por uma fração do preço de mercado; operação contra o grupo terminou com seis presos em Realengo

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Um Porsche Cayman por R$ 25 mil, uma Toyota Hilux 2024 por R$ 14,5 mil e um Audi A5 por R$ 9 mil. Os preços aparecem em anúncios investigados pela Polícia Civil do Rio em um esquema de venda de veículos roubados e clonados nas redes sociais. Segundo a apuração, os perfis também serviam para receber encomendas que orientavam novos roubos.

A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) identificou 81 veículos oferecidos por um total de R$ 753,9 mil. Juntos, os automóveis valiam R$ 12,89 milhões pela Tabela Fipe. O preço anunciado correspondia, portanto, a aproximadamente 5,8% do valor de mercado.

Nesta sexta-feira (6), as polícias Civil e Militar realizaram a segunda fase da Operação Sinal Oculto, no Jardim Novo, em Realengo, na Zona Oeste. Seis suspeitos foram presos durante a ação, que saiu para cumprir oito mandados de prisão preventiva.

A operação mobilizou 360 policiais da DRFA e do Batalhão de Polícia de Choque, além de veículos blindados. A primeira fase havia ocorrido em 27 de agosto, com buscas e a prisão de um dos principais investigados.

Líder de quadrilha carros clonados, Yan Almeida Coelho / Reprodução

Redes sociais como vitrine

A investigação reuniu imagens e vídeos de aproximadamente 150 veículos. Desse conjunto, 81 foram efetivamente anunciados nos perfis investigados no TikTok. Expressões como “feito doc”, “documento 2026” e “só pegar e andar” acompanhavam as ofertas.

Segundo a polícia, Yan Almeida Coelho, apontado como líder do grupo, era responsável pelos anúncios e mantinha diferentes contas. Após uma restrição ao perfil GalpãodublRJ, em março, as publicações passaram a aparecer nas páginas HANGAR RJ e GALPÃO 01 RJ. Uma das postagens alcançou cerca de 57,8 mil visualizações.

Em reportagem publicada em outubro, o g1 também identificou um perfil com mais de 21 mil seguidores que anunciava explicitamente a venda de veículos clonados. Entre as ofertas estavam um Corolla 2022 e um Jeep Compass Sport 2024, ambos por R$ 8,5 mil, além de um Audi Q8 2019 por R$ 15 mil.

O delegado Thiago Neves Bezerra, diretor da DRFA, afirmou que os preços devem ser encarados como um alerta.

“As redes sociais passaram a funcionar como uma espécie de vitrine para esse mercado criminoso. O anúncio de um Corolla por R$ 8 mil, por exemplo, não representa uma oportunidade comercial: é um forte sinal de alerta”, declarou.

Clonagem e pagamentos por terceiros

De acordo com os investigadores, o grupo pesquisava informações de veículos regulares com a mesma marca, modelo e cor dos carros roubados. Esses dados eram usados para adulterar a identificação dos automóveis de origem ilícita, que recebiam placas e documentação correspondentes às dos veículos regulares.

A apuração encontrou comprovantes de pagamentos de sinais feitos por compradores de Minas Gerais, Bahia, Tocantins e Pará. Os valores passavam por contas de terceiros e, segundo o relatório policial, eram posteriormente sacados e entregues ao responsável pelo esquema.

Também foram identificados números de telefone utilizados como chaves Pix e cadastrados em nome de outras pessoas. A polícia afirma que essa estrutura buscava dificultar a identificação de quem anunciava, recebia os pagamentos e comandava as negociações.

Com autorização judicial, os agentes cruzaram dados bancários e digitais para identificar recebedores e compradores. As investigações começaram em maio de 2025.

Segundo a polícia, publicações também exibiam símbolos que indicariam ligação com o Comando Vermelho. Os anúncios analisados pela reportagem mostravam predominância de atuação em áreas dominadas pela facção.

TikTok diz que removeu perfis

O TikTok informou que os perfis foram removidos por violarem suas políticas. A plataforma afirmou que proíbe conteúdos que promovam roubo, destruição de propriedade ou instruções para cometer crimes capazes de causar danos a pessoas, animais ou bens.

A empresa também declarou que mantém moderação contínua e remove publicações mesmo sem denúncias. Segundo seu relatório referente ao primeiro trimestre de 2026, 99,7% dos vídeos retirados por violações das políticas de segurança e civilidade foram removidos proativamente.

Para a DRFA, a facilidade de substituir contas exige que a investigação avance além das páginas usadas para os anúncios. O trabalho inclui rastrear pagamentos, telefones e dispositivos para identificar os integrantes da estrutura responsável pelas vendas.

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