Campanha de Lula muda rumo, defende reforma no Judiciário e endurece contra Mendonça

Executiva do partido decidiu mudar a estratégia a 24 dias das eleições diante do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e da crise no Supremo

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A 24 dias das eleições, a cúpula do PT decidiu promover uma mudança na estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em reunião de emergência da Executiva Nacional nesta quinta-feira (10), dirigentes avaliaram que a disputa com Flávio Bolsonaro (PL) se tornou mais apertada e defenderam uma postura mais ofensiva, além da adoção de propostas para reformar o Judiciário.

Entre as principais mudanças está a defesa de mandatos com prazo determinado para integrantes das cortes superiores. Atualmente, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) permanecem nos cargos até a aposentadoria compulsória. O PT não definiu, porém, qual deveria ser a duração desses mandatos.

A mudança de rumo ocorre em meio ao impacto eleitoral da crise no STF. Pesquisa AtlasIntel citada no material mostra Flávio com 46,4% e Lula com 46,2% em uma simulação de segundo turno.

PT coloca reforma do Judiciário na campanha

A resolução aprovada pela Executiva Nacional também defende a criação de códigos de ética para as cortes superiores e o endurecimento de tipos penais relacionados a corrupção, peculato e tráfico de influência no Judiciário. O documento propõe ainda o fim de supersalários, penduricalhos e privilégios.

A mudança foi acompanhada pelo reconhecimento de problemas na condução da campanha. Presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva afirmou que o cenário político mudou rapidamente e que a estratégia precisa acompanhar essa transformação.

“É evidente que tem erro. Em dez dias, o Brasil mudou. Se a realidade muda, a campanha tem de estar alinhada à realidade”, afirmou Edinho. Ele também defendeu que Lula apresente propostas para o futuro e aumente o tom em relação à reforma do Judiciário.

Crise no STF entra no cálculo eleitoral

A disputa interna no Supremo envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes passou a ocupar espaço central nas discussões da campanha. Até agora, o PT evitava concentrar ataques em Mendonça por receio de ampliar a associação entre Lula e Moraes. Outro fator considerado era a ligação de Mendonça com o segmento evangélico, onde o presidente enfrenta dificuldades eleitorais.

Com o agravamento da crise e o avanço de Flávio nas pesquisas, dirigentes petistas decidiram mudar essa postura. A estratégia descrita no material prevê que críticas mais diretas a Mendonça sejam feitas principalmente por dirigentes e militantes, enquanto Lula deverá concentrar sua campanha em propostas para um eventual quarto mandato.

Uma das bandeiras em análise é o endurecimento das medidas contra as apostas on-line, as chamadas bets. A avaliação apresentada é que o endividamento provocado pelos jogos tem peso entre as preocupações dos eleitores.

Dilema sobre Alexandre de Moraes

A relação com Alexandre de Moraes representa outro desafio para a campanha. Segundo o material, a estratégia petista é evitar tanto uma defesa irrestrita do ministro quanto um rompimento político. Lula tem adotado a posição de que eventuais irregularidades devem ser investigadas e de que ninguém está acima da lei.

A preocupação aumentou às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada por Edson Fachin para terça-feira (15), quando o plenário deverá analisar o relatório da Polícia Federal com diálogos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro.

Assim, a crise no Supremo, que inicialmente representava um problema externo à campanha, passa a influenciar diretamente a estratégia eleitoral do PT nas últimas semanas antes da votação.

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