discussão sobre o trabalho de ambulantes nas praias do Rio ganhou novo fôlego após a repercussão de uma abordagem violenta contra uma artesã em Ipanema. Em meio ao debate, a Câmara Municipal aprovou, em primeira discussão, um projeto de lei que reconhece os trabalhadores da orla como patrimônio imaterial do povo carioca. A proposta ainda precisa passar por uma segunda votação, prevista para esta quinta-feira.
O episódio ocorreu no último sábado, quando uma artesã foi abordada por agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) no calçadão, na altura do Posto 9. Imagens que circularam nas redes sociais mostram a mulher sendo contida com força, incluindo puxões e imobilização, enquanto testemunhas reagiam à ação.
Debate reacende após caso em Ipanema
O caso foi registrado na 14ª DP (Leblon) e encaminhado ao Juizado Especial Criminal. Segundo a Seop, a ambulante teria reagido à abordagem, o que motivou sua condução à delegacia. Ainda assim, a forma da ação gerou forte repercussão e críticas.
Projeto avança na Câmara do Rio
A proposta aprovada é de autoria do vereador Leonel de Esquerda (PT) e teve apoio da maioria dos parlamentares. O texto reconhece os ambulantes da orla como parte do patrimônio cultural da cidade, destacando o papel desses trabalhadores na identidade carioca.
“São trabalhadores que enfrentam dificuldades diárias e fazem parte da cultura da cidade. Reconhecê-los como patrimônio é valorizar essa realidade”, afirmou o autor do projeto durante a votação.
Se aprovado em segunda discussão, o texto seguirá para sanção ou veto do prefeito Eduardo Cavaliere.
Regras para ambulantes seguem em discussão
O projeto foi apresentado em um contexto de mudanças nas regras para o comércio informal nas praias. Um decreto municipal anterior restringiu atividades tradicionais e gerou reação entre os trabalhadores. Apesar de ajustes, ainda permanecem limitações, como a proibição da venda de alguns alimentos e do uso de determinados equipamentos.
O tema segue dividindo opiniões, especialmente entre a necessidade de organização do espaço público e a preservação de práticas tradicionais da orla.
Prefeitura reage e afasta agentes
Após a repercussão do caso, o prefeito Eduardo Cavaliere classificou a abordagem como “injustificável” e determinou o afastamento dos agentes envolvidos, além da abertura de um processo administrativo.
“O espaço público precisa de regras, mas isso não pode justificar ações desproporcionais”, declarou.
O prefeito também informou que pediu desculpas à artesã e ofereceu apoio para que ela possa se regularizar.






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