Uma descoberta chocante colocou Curicica, na Zona Sudoeste do Rio, no centro de uma investigação que envolve violência, disputa territorial e possíveis práticas criminosas ainda mais graves. Uma cabeça humana foi encontrada nesta terça-feira (14) em uma área apontada pelas autoridades como possível cemitério clandestino ligado ao tráfico de drogas.
O achado ocorreu durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que atuava na região para investigar uma explosão registrada na sede da Associação de Moradores do Parque Dois Irmãos no dia anterior. Cães farejadores foram responsáveis por identificar o ponto suspeito, onde o material foi localizado e encaminhado para perícia.
A Polícia Civil informou que a análise técnica será fundamental para tentar identificar a vítima e esclarecer as circunstâncias do crime. Até o momento, não há confirmação sobre a identidade da pessoa nem sobre quando o corpo foi ocultado no local.
Durante a mesma operação, o Esquadrão Antibomba identificou dois pontos com vestígios de artefatos explosivos improvisados. Segundo os peritos, os indícios têm características semelhantes às de explosivos lançados por drones, o que levanta um novo nível de preocupação sobre o tipo de armamento utilizado por criminosos na região.
A explosão investigada deixou ao menos um ferido e causou danos na associação de moradores. Um segundo ponto, em via pública, também apresentou marcas do impacto, indicando que o ataque pode ter sido mais amplo do que inicialmente se imaginava.
Moradores relatam que os episódios recentes podem estar ligados à disputa territorial entre traficantes do Comando Vermelho e grupos milicianos que atuam em Curicica e áreas vizinhas. A tensão na região tem se intensificado, com confrontos frequentes e operações policiais constantes.
Nesta terça-feira, as forças de segurança realizaram mais uma etapa da Operação Contenção nas comunidades Cidade de Deus e Vila Sapê, resultando na prisão de 23 suspeitos. Além disso, foram apreendidos drogas, celulares, um rojão, um rádio transmissor e identificada uma central clandestina de “gatonet”.
O caso está sendo investigado pela 32ª DP (Taquara), que busca reunir imagens, testemunhos e outros elementos que possam esclarecer a ligação entre o ataque com explosivos e o local apontado como cemitério clandestino.
A descoberta também reacende o alerta para casos semelhantes na Zona Sudoeste. Em junho, um poço utilizado para ocultar cadáveres foi encontrado em Rio das Pedras. Já em janeiro, ossadas foram localizadas em outro ponto da região, reforçando a suspeita de que áreas controladas por criminosos vêm sendo usadas para esconder vítimas de execuções.
As investigações seguem em andamento, e a polícia trabalha para identificar possíveis conexões entre os casos recentes e mapear a atuação de grupos criminosos na região.






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