Fraude no INSS: PF diz que dinheiro desviado de aposentados bancou cirurgia estética de investigada

Relatório da Polícia Federal afirma que procedimento estético da esposa do presidente da Conafer foi pago por empresa usada pelos operadores financeiros do esquema

A Polícia Federal afirma que parte do dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi utilizada para custear despesas pessoais de integrantes do esquema investigado na Operação Sem Desconto. Entre os gastos apontados pelos investigadores está uma cirurgia plástica realizada por Bruna Braz de Souza Santos, esposa do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.

A informação consta no relatório final do inquérito encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concluiu pelo indiciamento de 48 pessoas por suposta participação no esquema.

Cirurgia teria sido paga por empresa ligada ao esquema

Segundo a Polícia Federal, o procedimento estético foi pago pela empresa Santos Consultoria, apontada como controlada pelo operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos.

A conclusão dos investigadores tem como base mensagens encontradas no celular dos investigados. Em uma conversa datada de 16 de novembro de 2021, a secretária do médico envia informações sobre a cirurgia à paciente e, em seguida, Bruna encaminha o comprovante do pagamento. Para a PF, o valor saiu da empresa utilizada pelos operadores financeiros da organização.

Empresas bancavam despesas pessoais

De acordo com o relatório, o pagamento da cirurgia faz parte de um padrão de utilização de empresas consideradas de fachada para custear despesas particulares da família de Carlos Roberto Ferreira Lopes.

A investigação sustenta que os recursos obtidos por meio dos descontos associativos considerados irregulares eram distribuídos entre empresas ligadas aos operadores financeiros e posteriormente utilizados para pagar gastos pessoais e de alto padrão.

Entre as empresas citadas pela Polícia Federal estão Santos Consultoria, To Hire Cars, Solution, Impacto e MN Apoio Administrativo.

Gastos incluíam passagens e mensalidades

Segundo a PF, essa estrutura financeira teria sido usada para pagar boletos escolares, passagens aéreas, salários e a cirurgia plástica da esposa do presidente da Conafer.

A quebra de sigilo bancário também identificou, de acordo com os investigadores, que Bruna Braz de Souza Santos recebeu mais de R$ 1,75 milhão provenientes de contas controladas pelos operadores financeiros do esquema.

Para a Polícia Federal, esses elementos sustentam a suspeita de lavagem de dinheiro e indicam que parte dos recursos desviados de aposentados foi empregada em despesas particulares dos investigados.

Conafer contesta conclusões

Carlos Roberto Ferreira Lopes e Bruna Braz de Souza Santos estão entre os 48 indiciados no primeiro relatório conclusivo da Operação Sem Desconto. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República decidir se apresenta denúncia ao Supremo Tribunal Federal.

Em nota, a Conafer afirmou que respeita o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, mas ressaltou que o indiciamento representa apenas uma etapa da investigação.

A entidade informou que analisará integralmente o relatório assim que tiver acesso ao seu conteúdo e apresentará as manifestações jurídicas cabíveis. Também afirmou considerar inadequada qualquer tentativa de transformar a fase investigativa em condenação antecipada e defendeu que eventuais acusações sejam analisadas individualmente, com base em provas produzidas no devido processo legal.

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