A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Os agentes apreenderam uma Ferrari, cinco Porsches, uma motocicleta Ducati, dinheiro em espécie e uma arma de fogo durante as diligências, que ocorreram em oito estados e no Distrito Federal. Ao todo, foram cumpridos 66 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Associações sob investigação
Entre os alvos da operação está o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico — irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF esclareceu, no entanto, que Frei Chico não é investigado. A defesa do sindicato afirmou ter sido surpreendida com a operação e manifestou “repúdio” às suspeitas, alegando que não teve acesso ao teor do inquérito policial.
Em nota, a entidade declarou que comprovará a lisura de sua atuação e que atua “em prol de seus associados, garantindo-lhes dignidade e respeito”. O presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, prestou depoimento nesta quinta-feira à CPI do INSS. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que a associação movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em seis anos.
Desvios e lavagem de dinheiro
De acordo com a PF, a nova fase da operação visa aprofundar as investigações sobre crimes como estelionato qualificado, corrupção ativa, uso de documentos falsos, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Também foram alvos as associações Amar Brasil e Masterprev. As investigações apontam que essas entidades realizavam descontos mensais indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem qualquer autorização dos segurados.
Os valores, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), eram repassados a empresas de fachada e posteriormente lavados por meio da compra de veículos de luxo, imóveis e outros bens de alto valor. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.
Empresários presos e esquema revelado
A primeira fase da operação foi deflagrada em abril de 2025 e resultou no afastamento da cúpula do INSS. Em setembro, a PF prendeu os empresários Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti, apontados como principais operadores do esquema. Ambos negam as irregularidades.
De acordo com os investigadores, os dois intermediavam os repasses entre associações e servidores do INSS, que seriam responsáveis por validar convênios e autorizar os descontos indevidos. Parte dos recursos desviados, segundo a PF, era redistribuída entre empresários, dirigentes de associações e agentes públicos.
Nova fase busca rastrear beneficiários
Os bens apreendidos nesta quinta-feira — entre eles a Ferrari e os Porsches — estavam em endereços ligados a empresários e intermediários suspeitos. A PF acredita que o patrimônio foi adquirido com dinheiro proveniente das fraudes.
A Operação Sem Desconto tem como foco principal rastrear o destino final dos recursos desviados e identificar novos beneficiários, pessoas físicas e jurídicas, que teriam colaborado na ocultação dos valores. O caso segue sob sigilo judicial.






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