Ex-sargento da FAB é condenado por levar 37 kg de cocaína em avião da comitiva de Bolsonaro

Militar foi preso em 2019 na Espanha após ser flagrado com a droga em aeronave que dava apoio à viagem oficial do então presidente Jair Bolsonaro ao G-20, no Japão.

A Justiça Militar da União condenou o ex-segundo-sargento da Aeronáutica Manoel da Silva Rodrigues a três anos de prisão por associação para o tráfico de drogas. O militar foi preso em junho de 2019, no aeroporto de Sevilha, na Espanha, após ser flagrado transportando 37 quilos de cocaína em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que dava apoio à viagem do então presidente Jair Bolsonaro (PL) ao encontro do G-20, no Japão.

Segundo a sentença, Rodrigues atuava como um “transportador militar estratégico”, aproveitando a imunidade alfandegária das missões oficiais de apoio à Presidência da República para levar cargas de cocaína ao continente europeu.

A decisão afirma que o grupo criminoso utilizava a estrutura das missões oficiais da FAB como logística para o tráfico internacional de drogas. Conforme o processo, o ex-sargento e sua esposa enfrentavam dificuldades financeiras até o início de 2019, mas tiveram mudança no padrão de vida após sua entrada na organização.

Além de Manoel da Silva Rodrigues, a Justiça Militar condenou outros dois acusados de integrar o esquema.

Marcos Daniel Pena Borja Rodrigues Gama, apontado como mentor intelectual e financiador da organização, recebeu pena de 22 anos e oito meses de prisão pelos crimes de tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico.

Já o segundo-sargento Jorge Luiz da Cruz Silva, identificado como responsável pelo recrutamento de militares e pela ligação entre o financiador e os transportadores, foi condenado a 19 anos de reclusão, também pelos mesmos crimes.

Caso já tinha gerado outra condenação

Esta não é a primeira condenação de Manoel da Silva Rodrigues na Justiça Militar. Em 2022, ele foi condenado por tráfico internacional de drogas, decisão que transitou em julgado em setembro de 2024, com pena de 17 anos e cinco dias de reclusão, além de multa.

O processo mais recente decorreu do aprofundamento das investigações conduzidas pelo Ministério Público Militar, que identificaram a existência de uma associação criminosa voltada ao envio de drogas para a Europa utilizando aeronaves da FAB em missões oficiais.

Prisão na Espanha e pedido de extradição

Rodrigues foi preso em 25 de junho de 2019, durante uma escala em Sevilha. A carga de cocaína apreendida foi avaliada em cerca de 1,3 milhão de euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões na época dos fatos.

Em 2022, ele foi excluído da Aeronáutica. Atualmente, cumpre na Espanha uma pena de seis anos e um dia de reclusão, em regime equivalente à liberdade condicional. Também há um pedido de extradição em tramitação para que ele cumpra pena no Brasil.Defesa

No processo, a defesa de Manoel da Silva Rodrigues alegou ausência de justa causa e sustentou que a denúncia se baseava em “meras ilações”, pedindo a rejeição da acusação. Até a publicação da decisão, a reportagem não havia obtido manifestação dos advogados do ex-militar sobre a nova condenação.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo