A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réus quatro investigados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, vítima de um acidente durante um salto de rope jump em Limeira, no interior paulista. A decisão também manteve as prisões preventivas dos acusados e destacou a continuidade das investigações sobre o desaparecimento da câmera GoPro utilizada pela jovem no momento do acidente.
Maria Eduarda morreu após ser lançada de uma ponte desativada sem estar presa à corda de segurança. Ela caiu de aproximadamente 30 metros, chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos provocados pela queda.
A proprietária da empresa responsável pela atividade, Evelyn dos Santos Gonçalves, teve a prisão temporária convertida em preventiva. Também passaram à condição de réus Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Luis Felipe Egoroff, que permanecem presos preventivamente. A Justiça arquivou as acusações contra outros três investigados por não identificar elementos suficientes que os ligassem ao caso.
Acusações apontam falhas de segurança
Segundo a denúncia, Maicon Cintra, Vitor Gonçalves e Luis Felipe Egoroff responderão por homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Para a acusação, os três assumiram o risco de provocar a morte ao realizarem o salto sem seguir os protocolos de segurança.
Já Evelyn Gonçalves responderá por homicídio na modalidade de omissão imprópria, por ser considerada responsável pela integridade física dos participantes da atividade. Ela também foi denunciada por fraude processual, sob a acusação de orientar um integrante da equipe a ocultar a câmera GoPro utilizada pela vítima após o acidente.
De acordo com o Ministério Público, o grupo atuava de forma desorganizada e sem observar os procedimentos mínimos exigidos para a prática do esporte de aventura.
Grupo não possuía autorização formal
Na decisão, a juíza Marcella Caliani destacou que o grupo “Entre Cordas” não possuía constituição jurídica formal nem autorização para realizar esse tipo de atividade no município.
Ainda conforme os autos, Evelyn era responsável pela divulgação dos serviços, captação de clientes, contratação da equipe e organização dos eventos. Luis Felipe Egoroff fazia a colocação da corda nos participantes, Maicon Cintra realizava a conferência dos equipamentos e do sistema de segurança, enquanto Vitor Gonçalves também equipava os clientes e participou diretamente do lançamento da vítima.
A magistrada ressaltou que a estrutura operacional apresentada pelo grupo demonstrava graves falhas na organização e na execução da atividade.
Investigação continua em busca da GoPro
A decisão também enfatiza que a Polícia Civil continua procurando a câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda, que desapareceu após o acidente. Para a juíza, o sumiço do equipamento, aliado à existência de testemunhas ainda não ouvidas e perícias pendentes em aparelhos eletrônicos, justifica a manutenção da prisão preventiva de Evelyn Gonçalves.
Segundo a magistrada, a liberdade da investigada poderia representar risco concreto à produção de provas durante a fase de instrução do processo.
Defesas contestam acusações
Os advogados de Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff afirmaram, em nota, que discordam da denúncia e sustentam que a conduta dos dois foi culposa, sem intenção ou assunção do risco de matar. A defesa informou que buscará demonstrar durante o processo que não há elementos para caracterizar dolo eventual nem as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público.
Já os defensores de Vitor Gonçalves também contestaram a acusação. Em nota, afirmaram que os fatos não permitem a conclusão jurídica adotada pela acusação e disseram confiar que a instrução processual demonstrará a inexistência dos requisitos necessários para sustentar a imputação apresentada.






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