Operação prende dez por lavar R$ 100 milhões para facções e apura elo com a Al-Qaeda

Investigação aponta que rede atendia TCP, CV e PCC, movimentando mais de R$ 100 milhões

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quarta-feira (15), a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões para facções criminosas. Segundo as investigações, a estrutura financeira prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também ocultava recursos do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Até o momento, dezpessoas foram presas.

A operação é realizada por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP.

Dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão são cumpridos no Rio, São Paulo, Minas Gerais e em Foz do Iguaçu (PR). A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros, a indisponibilidade de bens e de participações societárias dos investigados.

As investigações começaram a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na região central do Rio. Com o avanço das apurações, os investigadores descobriram que a mesma estrutura financeira também era usada para lavar dinheiro de outras facções, funcionando como uma espécie de “banco” para organizações criminosas.

Quem são os presos

  • Ali Alfakih
  • Barbara de Oliveira Rosa
  • Bárbara Luzia Souza de Carvalho
  • Kassem Zayoun
  • Lucas Gabriel Vidal
  • Reda Zayoun
  • Samuel Morais da Hora
  • Thierry Martins Lourenço Ribeiro
  • Yago Jorge de Souza Daniel
  • Yasser Zayoun

Empresas de fachada e movimentações milionárias

De acordo com a Polícia Civil, entre 2021 e 2024 o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões por meio de dezenas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados. Os negócios eram usados para dar aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas, receptação de produtos roubados e comércio de mercadorias falsificadas.

Segundo a investigação, os envolvidos utilizavam empresas de fachada, transferências entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro vivo e “laranjas” para esconder a origem dos recursos.

Os agentes também identificaram um núcleo formado por empresários de origem libanesa que, segundo a polícia, ajudava a ampliar a circulação interestadual e internacional do dinheiro por meio de empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais.

Investigação apura elo com integrante ligado à Al-Qaeda

Durante as apurações, a Polícia Civil identificou indícios de movimentações financeiras na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, área frequentemente monitorada por órgãos nacionais e internacionais por suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações criminosas e grupos extremistas.

Segundo os investigadores, uma empresa ligada aos alvos da operação manteve relação comercial com um homem sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por integrar uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. A polícia ressalta que esse possível vínculo ainda será aprofundado a partir da análise do material apreendido durante a operação.

As investigações também apontam que uma operadora financeira administrou empresas que movimentaram mais de R$ 47 milhões no período investigado. Um contador suspeito de dar aparência de legalidade às empresas usadas no esquema também é investigado por atuar como facilitador da lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil informou que a operação busca enfraquecer financeiramente as facções criminosas e identificar outros integrantes da organização, além de aprofundar as investigações sobre a movimentação internacional dos recursos ilícitos.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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