Prefeitura de Limeira começa a bloquear ponte do Esqueleto após morte de estudante em salto de rope jump

Estrutura localizada entre Limeira e Cordeirópolis passa por intervenções emergenciais para impedir acesso ao local após acidente que matou jovem de 21 anos

A Prefeitura de Limeira, no interior de São Paulo, iniciou nesta quarta-feira (17) uma série de intervenções para restringir o acesso à ponte do Esqueleto, estrutura que se tornou alvo de preocupação após a morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues Freitas, de 21 anos, durante a prática de rope jump no último sábado (13).

A jovem morreu após ser lançada de uma das extremidades da ponte sem estar conectada a qualquer corda ou equipamento de segurança. O caso provocou forte repercussão e levou autoridades municipais, estaduais e federais a discutirem medidas para impedir novas ocorrências no local.

A ponte fica na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis e pertence à União. Apesar de possuir acesso proibido oficialmente, a estrutura continuava sendo frequentada por praticantes de esportes radicais, ciclistas e visitantes.

Segundo a administração municipal, os trabalhos iniciados nesta semana visam reforçar o isolamento da área até que sejam adotadas soluções definitivas.

“A atuação ocorre após o Governo Federal reconhecer sua responsabilidade pela área e solicitar apoio operacional do município para ampliar a proteção do espaço até a adoção de medidas definitivas”, afirmou a gestão municipal.

Intervenções emergenciais

Entre as medidas executadas pela Prefeitura de Limeira está a reabertura de uma vala que dificulta o acesso à ponte.

O obstáculo havia sido construído em 2024 a pedido da União, justamente para restringir a circulação de pessoas. No entanto, segundo a prefeitura, a barreira acabou sendo fechada posteriormente por terceiros, permitindo novamente o acesso à estrutura.

A administração municipal informou que foi acionada pelo governo federal para prestar apoio operacional devido às limitações existentes para a execução imediata das medidas de segurança.

Enquanto isso, as obras consideradas permanentes continuam sob responsabilidade da União. Entre elas estão a construção de barreiras físicas, a instalação de estruturas de contenção e a manutenção dos bloqueios de acesso.

Debate sobre o futuro da ponte

A tragédia reacendeu a discussão sobre o destino da ponte do Esqueleto.

Durante uma reunião realizada na última segunda-feira (15), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) apresentou a possibilidade de transferir a estrutura para a Prefeitura de Limeira, por meio de doação ou cessão.

A proposta, no entanto, foi rejeitada pela administração municipal.

O prefeito Murilo Félix (Podemos) afirmou que não existe interesse público na incorporação da estrutura ao patrimônio do município e que a cidade possui outras prioridades de investimento.

As prefeituras de Limeira e Cordeirópolis defendem uma solução mais radical: a demolição da ponte.

A derrubada da estrutura está entre as alternativas em análise pela SPU, órgão vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Enquanto uma definição não é tomada, o governo federal anunciou a instalação de novas barreiras físicas e placas informativas alertando que a área é de propriedade da União e possui acesso proibido.

Histórico de acidentes preocupa autoridades

O caso envolvendo Maria Eduarda não foi o primeiro registro grave relacionado à ponte.

Autoridades apontam que o local acumula histórico de acidentes nos últimos anos, especialmente devido à prática de esportes radicais.

Em 2024, duas pessoas ficaram feridas durante atividades de rope jump realizadas na estrutura.

No mesmo ano, uma ciclista morreu após sofrer uma queda da ponte.

Mesmo com as restrições de acesso já existentes, ao menos três grupos organizavam regularmente saltos de rope jump no local, principalmente durante fins de semana.

A permanência dessas atividades tem sido apontada pelas autoridades como um dos fatores que contribuíram para a necessidade de adoção de medidas mais rígidas de controle.

Investigação sobre a morte da estudante

A morte de Maria Eduarda segue sendo investigada pela Polícia Civil.

Imagens registradas por pessoas que acompanhavam a atividade mostram o momento em que a estudante é lançada para o salto sem estar presa a qualquer sistema de segurança.

Após a análise inicial do caso, os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42, foram presos em flagrante.

Os três foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado. No domingo (14), a Justiça converteu as prisões em preventivas.

A defesa dos investigados afirma que os instrutores prestaram socorro imediatamente após o acidente e classificou o episódio como uma “tragédia”.

O que é o rope jump

O rope jump é uma modalidade de esporte radical em que o participante salta de grandes alturas preso a cordas de segurança. Após a queda inicial, o sistema produz um movimento pendular, razão pela qual a prática também é conhecida como “pêndulo humano”.

A atividade difere do bungee jump, modalidade em que o praticante é conectado a uma corda elástica que provoca sucessivos rebotes após o salto.

Especialistas ressaltam que a prática exige planejamento rigoroso, inspeção constante dos equipamentos e protocolos de segurança capazes de minimizar riscos aos participantes.

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