O Banco de Brasília (BRB) prepara um programa de desligamento voluntário que pode alcançar até 500 trabalhadores, enquanto a possibilidade de privatização volta a ser discutida nos bastidores do Governo do Distrito Federal. As alternativas surgem em meio à busca por recursos para enfrentar a crise provocada pelas operações com o Banco Master.
Segundo a Folha de S. Paulo, a reestruturação teria início em dezembro. A proposta inicial de desligamentos corresponde a aproximadamente 15% dos 3.532 funcionários concursados informados pelo banco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com terceirizados, comissionados e estagiários, a instituição reúne cerca de 6 mil trabalhadores.
Procurado pela reportagem, o BRB informou, por sua assessoria de imprensa, que não se manifestaria sobre os questionamentos.
Programa pode ser o maior da história do banco
Os critérios do novo programa ainda estão em discussão e podem mudar conforme as necessidades da instituição. Dois interlocutores ouvidos pela Folha, sob anonimato, relataram que uma das possibilidades é permitir a adesão de empregados a partir de 38 anos, com pelo menos 20 anos de carreira no BRB.
Se mantida a previsão de até 500 saídas, será o maior programa de desligamento voluntário da história do banco. Na edição de 2023, houve 139 adesões, acima das cem inicialmente previstas. Segundo as demonstrações financeiras da instituição, a medida reduziu as despesas daquele ano em R$ 14,4 milhões.
Na ocasião, podiam participar funcionários com 53 anos ou mais e mais de 15 anos de trabalho no banco. A indenização oferecida era de sete salários-base. Uma nova edição chegou a ser planejada para 2025, com os mesmos critérios e 50 vagas, mas não avançou.
As primeiras conversas sobre a proposta atual ocorreram informalmente durante as negociações do acordo coletivo, entre agosto e setembro. Depois, o assunto chegou aos conselhos do BRB.
Venda é discutida, mas BTG nega negociação
A transferência do controle acionário também foi debatida internamente como alternativa para recuperar o banco. Antes de recorrer à privatização, porém, a governadora reeleita Celina Leão (PP) deve insistir na negociação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar a instituição.
Segundo interlocutores do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux recebeu a informação de que a gestão de Celina teria interesse em vender o BRB ao BTG Pactual, que tem André Esteves como presidente do conselho de administração.
O BTG negou interesse na aquisição e afirmou que não há negociação nesse sentido. O Governo do Distrito Federal, procurado na quarta-feira (4) e na quinta-feira (5), não respondeu até a publicação da reportagem.
A federalização também esteve entre as possibilidades consideradas pelo governo distrital caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a eleição presidencial, segundo os relatos. Essa alternativa perdeu força após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O acordo coletivo dos funcionários do BRB prevê estabilidade de dois anos em caso de privatização. Paralelamente, o banco mantém conversas com investidores estrangeiros sobre uma parceria para recompor seu capital.
Melhora da liquidez não encerra crise
Ao longo de outubro, o BRB conseguiu aliviar sua situação de liquidez com a venda de ativos e a entrada de novos depósitos. Também foram mantidos os depósitos judiciais e realizadas captações por meio de um fundo de securitização de dívida e de outro formado por carteiras de crédito do banco.
Durante a gestão do presidente Nelson Antônio de Souza, foram vendidos cerca de R$ 14 bilhões em ativos. As operações deram fôlego à instituição, mas não solucionaram a necessidade de capitalização.
Integrantes do próprio banco avaliam que, sem uma injeção de recursos pelo Governo do Distrito Federal, as alternativas restantes seriam a federalização ou a privatização.
Acionista majoritário, com 53,71% das ações totais, o governo distrital tenta obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o FGC. Sem recursos em caixa para capitalizar o BRB, a gestão de Celina depende do avanço dessa negociação.
Um acordo homologado pelo STF em maio previa que as principais instituições financeiras do país seriam fiadoras da operação. Como contragarantia, seriam utilizados recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Diante da falta de avanço, o governo distrital voltou ao Supremo para tentar obter o aval da União. O governo federal classificou a ação como “inteiramente descabida”.
Segundo relatos à Folha, Fux tem afirmado a assessores que não pretende acelerar a análise enquanto as negociações estiverem em andamento. O ministro também considera que uma eventual venda poderia alterar a solução atualmente discutida para o banco.
Durante a campanha eleitoral, em outubro, Celina afirmou que a privatização estava “completamente descartada” e atribuiu os rumores a uma tentativa de desestabilizar sua candidatura.
“O BRB está firme, tem mantido a liquidez e as pessoas que acreditam no BRB sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação. Nós estamos também conversando para pegar esse financiamento internacional para não depender de sindicatos de bancos aqui. Nós temos outras saídas também, mas não tem isso. […] Descartado completamente”, disse.







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