Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Felipe Sousa-Lazaballet será o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Câmara dos Representantes da Flórida, nos Estados Unidos. Eleito pelo Distrito 42, que abrange parte de Orlando e cidades vizinhas, o caxiense conquistou 49.752 votos, o equivalente a 62,41% dos votos válidos.
Apesar de ter construído sua trajetória política nos EUA, o brasileiro terá uma remuneração anual inferior à dos deputados de seu estado de origem. Pelo mandato, Felipe receberá US$ 29.697 por ano, cerca de R$ 163,6 mil. O salário dos representantes da Flórida está congelado desde 2010 e representa pouco mais de um terço do valor recebido anualmente pelos deputados fluminenses.
Na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o salário anual é R$ R$ 452 mil — sem contar outros benefícios. A diferença entre as duas remunerações é de cerca de R$ 253,7 mil por ano.
Em dólares, enquanto um parlamentar do estado norte-americano recebe o equivalente a US$ 29,7 mil anuais, um deputado estadual da Alerj ganha aproximadamente US$ 82,7 mil — uma diferença de cerca de U$ 53 mil.
Da Baixada Fluminense aos EUA
Felipe foi eleito após derrotar a republicana Bonnie Jackson, que recebeu 37,59% dos votos válidos, contra 62,41% do brasileiro. Ele disputou um mandato de dois anos e ocupará a cadeira da democrata Anna Eskamani, impedida de tentar a reeleição após atingir o limite de quatro mandatos consecutivos.
Diferentemente do Brasil, onde os deputados estaduais são eleitos pelo sistema proporcional em todo o território estadual, na Flórida os representantes são escolhidos por distritos eleitorais. O brasileiro vai atuar em um Legislativo de maioria republicana. Das 120 cadeiras da Câmara dos Representantes da Flórida, 85 são ocupadas por integrantes do partido, enquanto os democratas têm 35 representantes. Os republicanos também governam o estado desde 1999.
A chegada ao Legislativo representa um novo capítulo para o caxiense, que deixou o Brasil aos 14 anos e embarcou sozinho para Miami em busca do sonho americano. Antes de disputar a eleição, trabalhou por cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer, e atuou em organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+. Filho de uma diarista que criou sozinha três filhos, ele conquistou o novo cargo cerca de 25 anos após chegar ao país.







Deixe um comentário