Mpox: governo autoriza compra de 20 mil doses em meio à alta de casos no Rio

Ministério prevê reforçar o estoque do SUS; Rio já recebeu 3,5 mil doses neste ano e registrou 55 infecções em outubro, maior número mensal desde 2022

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O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A decisão foi tomada nesta quarta-feira (5) e tem como objetivo reforçar o estoque estratégico de imunizantes e garantir a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) diante da evolução dos casos da doença no país.

A medida ocorre em meio ao aumento de infecções no Rio de Janeiro. Nesta semana, o ministério já havia anunciado o reforço da vacinação no estado, com o envio de mais 2 mil doses na quarta-feira. Com a nova remessa, o total destinado ao território fluminense em 2026 chega a 3,5 mil unidades.

Vacinação é restrita a grupos de maior risco

Apesar da autorização para ampliar a aquisição, a vacinação continua limitada a públicos específicos, devido à disponibilidade restrita de doses no mercado internacional. Atualmente, a estratégia contempla pessoas vivendo com HIV/Aids que apresentam imunossupressão grave, com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³.

O esquema vacinal prevê duas aplicações, com intervalo de 28 dias. Quando há doses excedentes, a imunização pode ser estendida a pessoas com HIV e CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus e pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados.

Rio concentra um terço das infecções no país

O Brasil registrou 665 casos de mpox em 2026 até outubro, dos quais 218 ocorreram no Rio de Janeiro, segundo o Ministério da Saúde. Apesar da concentração de registros no estado, o total nacional representa uma redução de 94% em relação a 2022, quando foram notificadas 10.821 infecções.

No Rio, porém, os indicadores mais recentes apontam crescimento. O painel epidemiológico estadual já contabiliza 269 casos confirmados em 2026, contra 119 durante todo o ano passado, uma alta de 126%.

Na capital fluminense, foram registrados 55 casos apenas em outubro, o maior número mensal desde outubro de 2022. Em setembro, haviam sido 47 infecções, contra 13 em agosto. A Secretaria Municipal de Saúde reconhece a elevação da curva, mas afirma que os registros permanecem dentro das oscilações observadas desde a introdução da doença no município, em 2022.

O Distrito Federal também apresentou aumento recente, com 23 casos em 2026 até a primeira semana de novembro. Oito deles foram registrados em outubro.

Quais são os sintomas e como ocorre a transmissão?

A mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com lesões na pele, secreções corporais, objetos contaminados, como toalhas e roupas, e contato próximo e prolongado com secreções respiratórias de pessoas infectadas.

Os sintomas mais comuns são erupções ou lesões na pele, febre, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios, fraqueza e inchaço dos linfonodos, conhecido como ínguas. As lesões podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, nos genitais e na região anal.

O período de incubação varia geralmente de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. A maioria dos casos apresenta evolução leve ou moderada.

O Ministério da Saúde recomenda procurar atendimento médico diante de lesões na pele acompanhadas de febre ou ínguas, especialmente após contato com alguém infectado. Pessoas com suspeita da doença devem passar por avaliação e, quando indicado, realizar coleta de material para diagnóstico laboratorial.

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