O general da reserva Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma acareação com o tenente-coronel Mauro Cid, delator central na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (16) pelo jornal O Globo.
O pedido foi apresentado dentro do prazo para solicitação de diligências por parte dos advogados dos réus do chamado “núcleo 1” da suposta trama golpista. A defesa de Braga Netto argumenta que há “inegavelmente relevantes” divergências entre os depoimentos do general e os de Mauro Cid, especialmente em relação a uma reunião ocorrida em 12 de novembro de 2022 na residência do general e à suposta entrega de dinheiro para financiar o plano batizado de “Punhal Verde e Amarelo”.
Segundo os advogados, Mauro Cid alterou suas versões sobre os fatos, inclusive durante o próprio interrogatório judicial, e não apresentou provas que sustentem as acusações feitas contra Braga Netto. Por isso, a acareação seria necessária para esclarecer os pontos em conflito.
A defesa também solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, o compartilhamento dos interrogatórios de réus pertencentes a outros núcleos da investigação, como forma de “prova emprestada”. Para os advogados, a ausência desses registros inviabiliza o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Outro ponto sensível levantado é a análise do vasto conteúdo digital reunido pela Polícia Federal na Operação Tempus Veritatis. A defesa afirma que o volume de dados — cerca de 43 terabytes — impõe dificuldades técnicas e logísticas, e pede ao STF a concessão de pelo menos 30 dias adicionais para examinar o material.
Além disso, os advogados requerem a suspensão da ação penal até que se encerre a instrução probatória dos demais núcleos investigados, sob pena de cerceamento de defesa.
Agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se acolhe os pedidos da defesa de Braga Netto, incluindo a acareação com Mauro Cid, a ampliação de prazos e o acesso a novas provas. A decisão será mais um capítulo da complexa investigação sobre os bastidores da tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.





