O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a compartilhar conteúdos ofensivos contra Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, elevando a tensão diplomática entre Brasil e Argentina. A nova publicação ocorreu dois dias após o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, cobrar o fim das agressões contra o presidente brasileiro.
Milei compartilha nova mensagem contra Lula
Milei compartilhou neste domingo (9) uma publicação do deputado republicano Carlos A. Giménez na rede social X. Na mensagem, o parlamentar chamou Lula de “porco” ao criticar a posição do presidente brasileiro em relação ao governo dos Estados Unidos e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Giménez também acusou Lula de manter proximidade com regimes que classificou como “castro-comunistas” e afirmou que os brasileiros mereceriam mais do que o presidente brasileiro. O conteúdo foi republicado por Milei em meio ao aumento das críticas direcionadas ao governo Lula.
O deputado argentino também divulgou uma montagem em que uma fotografia de Nicolás Maduro aparece substituída pela imagem de Lula, acompanhada de uma mensagem sugerindo um possível destino para o presidente brasileiro. Essa publicação, porém, não foi compartilhada por Milei.
Ofensas aumentam tensão entre Brasil e Argentina
Nos últimos dias, Milei também republicou outros conteúdos contra Lula, incluindo uma imagem do presidente brasileiro sendo fichado pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em 1980, quando foi preso durante a ditadura militar por liderar greves de metalúrgicos.
Outra publicação compartilhada pelo presidente argentino criticou a cobertura da imprensa argentina sobre Lula e acusou veículos de comunicação de tentar construir uma imagem positiva do presidente brasileiro.
A sequência de publicações ocorre após o chanceler Mauro Vieira afirmar, em entrevista ao jornal argentino Clarín, que Milei precisa interromper as agressões contra Lula para que as relações entre os dois países possam voltar à normalidade.
Itamaraty rebaixa relação diplomática
A crise ganhou força depois de declarações feitas por Milei durante sua passagem pelo Brasil, em 25 de julho. Na ocasião, durante um evento político em São Paulo, o presidente argentino chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Também fez ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após os novos episódios, o governo brasileiro convocou os representantes diplomáticos dos dois países. Em agosto, diante da continuidade das ofensivas, o Brasil decidiu dispensar o embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, e manter o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, no país.
A medida reduziu o nível das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina para encarregado de negócios e ocorre em um momento de forte desgaste entre dois países que possuem importantes relações comerciais e históricas.
Crise entre Lula e Milei se arrasta desde 2023
Os conflitos públicos entre Lula e Milei não são recentes. Durante a campanha presidencial argentina de 2023, Milei chamou o então presidente brasileiro de comunista e corrupto.
Em junho de 2024, Lula chegou a afirmar que o presidente argentino deveria pedir desculpas pelas declarações. Milei respondeu que havia questões mais importantes do que o que classificou como “ego inflado” de um político de esquerda.
A escalada registrada nas últimas semanas, no entanto, levou a crise a um patamar considerado sem precedentes nas últimas décadas. As novas manifestações de Milei contra Lula agora acontecem paralelamente ao agravamento das medidas diplomáticas adotadas pelo governo brasileiro.
Relações entre Brasil e Argentina entram em nova fase
A deterioração das relações ocorre entre dois dos principais parceiros comerciais da América do Sul. A decisão do governo brasileiro de dispensar o embaixador argentino representa uma das respostas mais duras adotadas desde o início dos atritos entre Lula e Milei.
Enquanto o governo brasileiro cobra uma redução das agressões públicas, Milei continua utilizando suas redes sociais para compartilhar mensagens de aliados e críticos de Lula. O cenário mantém a relação bilateral sob forte tensão e aumenta a pressão sobre os canais diplomáticos dos dois países.







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