A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo começa nesta sexta-feira (4), no Distrito Anhembi, na Zona Norte da capital paulista, com uma novidade que amplia o alcance do tradicional evento literário: um espaço dedicado exclusivamente a debates sobre saúde e bem-estar.
A iniciativa acompanha o crescimento da procura por livros relacionados à saúde física e mental desde a pandemia. Com uma programação que pretende unir informação científica e literatura, o novo espaço terá 60 mesas de debates até 13 de setembro.
A Bienal ocupará 86 mil metros quadrados do Anhembi, área 28% maior que a utilizada na edição de 2024. Ao todo, 269 expositores participarão do evento, que tem como tema “Um festival de emoções”.
Saúde e literatura dividem espaço
O Espaço Saúde e Bem-Estar foi criado com curadoria dos jornalistas Michelle Loreto e Fabrício Battaglini. A programação aborda assuntos que estão presentes tanto no cotidiano quanto nas redes sociais, como menopausa, medicamentos para emagrecimento, autismo, vício em apostas, espiritualidade e o aumento de diagnósticos.
A abertura acontece nesta sexta, às 14h, com uma palestra do psicanalista Christian Dunker sobre o papel da literatura na saúde mental.
A proposta dos organizadores é levar informação confiável ao público e combater conteúdos sem embasamento científico que circulam nas redes sociais.
Entre sábado e terça-feira, a Sociedade Brasileira de Diabetes também participará da programação, realizando aferição de pressão arterial e testes de glicose nos intervalos das atividades.
Autores levam experiências pessoais para os debates
Entre os convidados está a escritora Gabriela Zambiazi, que apresentará seu romance de estreia, “Durou um momento, não teve fim”, publicado pela Todavia em julho.
A obra acompanha três mulheres de uma mesma família e aborda diferentes formas de violência, incluindo conflitos de gênero, violência doméstica e questões intergeracionais.
Zambiazi participará, na segunda-feira (7), da mesa “Isso não é amor”, ao lado do psicólogo Rossandro Klinjey. O debate discutirá relacionamentos abusivos a partir da literatura e da psicologia.
A autora conta que inicialmente ficou surpresa com o convite para participar de um espaço voltado à saúde, mas percebeu que os temas de seu livro estavam diretamente relacionados à proposta.
Evento aposta no público adulto
A criação do novo espaço também integra uma estratégia da Bienal para ampliar a presença do público adulto. A organização espera receber mais de 700 mil visitantes durante os dez dias de programação.
Os ingressos noturnos de segunda a quinta-feira foram criados para estimular a visita ao evento após o expediente. A partir das 17h, a entrada custa R$ 30 para o público em geral e R$ 15 na meia-entrada, com os valores convertidos em crédito para a compra de livros no local.
A programação noturna também terá discussões voltadas ao público adulto. Entre os destaques está o debate sobre educação sexual como ferramenta de saúde e proteção, que reunirá as sexólogas Laura Müller e Cris Sá.
Mercado editorial acompanha mudança de comportamento
O crescimento do interesse por temas ligados à saúde também aparece nas vendas de livros. Segundo levantamento da NielsenIQ BookData realizado a pedido do GLOBO, os títulos da categoria Mente, Corpo & Espírito registraram aumento de 20,5% nas vendas entre janeiro e julho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
O segmento inclui obras sobre terapias alternativas, saúde, comportamento e outros assuntos relacionados ao equilíbrio entre corpo e mente.
Editoras também vêm ampliando seus catálogos para acompanhar essa demanda. A DarkSide, conhecida principalmente por títulos de terror e fantasia, criou recentemente o selo Magnética, voltado a livros sobre saúde e comportamento.
Fernando Pessoa também entra na programação
A literatura terá presença importante mesmo dentro do espaço dedicado à saúde. Um dos exemplos é a mesa “Meditar com Fernando Pessoa”, marcada para sábado, às 10h30.
O médico e professor Marcelo Demarzo discutirá conceitos de atenção plena a partir da obra do poeta português e de seus heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
A proposta é aproximar conceitos científicos da poesia e dos clássicos da literatura, tornando temas relacionados à saúde mais acessíveis ao público.
Com a iniciativa, a Bienal aposta na combinação entre conhecimento científico e literatura para discutir questões que fazem parte da vida cotidiana. A expectativa é que o novo espaço se torne uma das atrações da edição de 2026 e ajude a aproximar diferentes públicos do universo dos livros.







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