Sushi Leblon celebra 40 anos como ícone da gastronomia japonesa no Rio de Janeiro

O restaurante nasceu em 1986 na Rua Dias Ferreira e ajudou a transformar a culinária japonesa em uma tradição entre os cariocas

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O Sushi Leblon completa 40 anos em 2026 carregando uma história diretamente ligada à transformação da gastronomia do Rio de Janeiro. A trajetória começou em 2 de setembro de 1986, quando Pepê e Carolina Gayoso inauguraram o Tatsumi Sushi Bar, na Rua Dias Ferreira, no Leblon.

Na época, comer peixe cru com hashis ainda era uma experiência pouco comum para os cariocas. O restaurante surgiu em meio a um bairro marcado por surfistas, músicos e praticantes de voo livre, atividades que faziam parte da vida de Pepê, pioneiro do surfe profissional no Brasil e campeão mundial de voo livre no Japão.

A proposta combinava com o estilo de vida do fundador. A culinária japonesa, considerada leve e fresca, encontrou espaço entre os frequentadores da região e rapidamente ganhou uma identidade própria. O endereço passou a ser conhecido como Sushi Leblon e se tornou um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade.

A cozinha japonesa ganhou sotaque do Rio

Apesar da presença de profissionais japoneses no comando do balcão, o restaurante nunca seguiu uma linha totalmente ortodoxa. Ao longo dos anos, o cardápio incorporou preparações que ajudaram a aproximar a culinária japonesa do gosto brasileiro.

Califórnia rolls, filadélfias e outras criações inspiradas na gastronomia dos Estados Unidos passaram a dividir espaço com ingredientes mais sofisticados, como vieiras, lagostins, uni e peixes especiais. A combinação entre tradição e criatividade se transformou em uma das marcas da casa.

O chef Claude Troisgros destaca justamente esse pioneirismo. Para ele, o Sushi Leblon ajudou a abrir espaço para novas possibilidades dentro de uma cozinha tradicional, contribuindo para a evolução da gastronomia japonesa no país.

Carol assumiu o restaurante após a morte de Pepê

A história do restaurante mudou profundamente em 1991, quando Pepê morreu em um acidente de voo livre no Japão. Naquele momento, Carolina tinha 28 anos e dois filhos pequenos, Bianca e João Pedro, além da responsabilidade de decidir o futuro do negócio criado pelo casal.

Após permanecer seis meses afastada, Carol decidiu retornar ao restaurante. A escolha marcou o início de uma nova fase. Segundo ela, o Sushi Leblon era como o primeiro filho da família e não poderia ser abandonado.

A retomada, porém, não foi simples. Com a saída do chef que se recusou a trabalhar sob o comando de uma mulher, Carol encontrou no jovem sushiman Jun Sakamoto uma peça importante para a transformação da casa. Na época, ele estudava arquitetura e ajudou a modificar tanto a cozinha quanto o projeto do restaurante.

A tradição passou para uma nova geração

Enquanto administrava o estabelecimento, Carol também criou os filhos em meio ao restaurante. Bianca cresceu entre o caixa, as mesas e os clientes e, atualmente, divide com a mãe a administração do negócio.

A família permanece diretamente envolvida na empresa. Além de Carol e Bianca, João Pedro e Bia Gayoso também são sócios. A relação entre gerações ajuda a explicar por que o restaurante mantém uma atmosfera familiar mesmo depois de quatro décadas.

Frequentadores antigos continuam retornando ao endereço, agora acompanhados pelos filhos e netos. A convivência entre diferentes gerações tornou-se uma das características mais marcantes do Sushi Leblon.

Quatro décadas depois, a essência permanece

Nem mesmo o incêndio que fechou temporariamente o restaurante em 2024 foi capaz de interromper a trajetória da casa. Para Carol, o episódio foi encarado como uma espécie de renovação e não como o fim de um ciclo.

Ao completar 40 anos, o Sushi Leblon permanece ligado à memória afetiva de diversas gerações de cariocas. O endereço mudou com a cidade, o cardápio se modernizou e novos ingredientes chegaram à cozinha, mas a essência permaneceu.

A energia de Pepê também continua presente na memória da família e dos antigos frequentadores. O espírito de reunir pessoas, celebrar a vida e tratar todos de maneira igual ajudou a construir a identidade do restaurante — uma característica que atravessou quatro décadas sem perder espaço para o tempo.

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