Ator que interpretou Bolsonaro em filme temeu facada real e exigiu plano de fuga do Brasil

Astro de Hollywood deixou gravações de ‘Dark Horse’ antes do fim após temores ligados à violência e à tensão política na América Latina

O ator norte-americano Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”, deixou o Brasil dias antes do encerramento das gravações após demonstrar forte preocupação com a própria segurança nos bastidores da produção. Segundo relatos de integrantes da equipe ao Globo, o astro chegou a exigir um “plano de evacuação” para sair do país “por terra, ar e mar” caso a situação política na América do Sul se agravasse.

A produção cinematográfica teve patrocínio do empresário Daniel Vorcaro, investigado e preso sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Durante cerca de seis semanas no Brasil, Caviezel atuou cercado por um rígido esquema de segurança, com seguranças brasileiros e norte-americanos acompanhando todos os seus passos.

Segurança reforçada e clima de tensão

De acordo com profissionais envolvidos no longa, o ambiente nos bastidores era marcado por medo constante de possíveis ataques por conta do conteúdo político do filme. A equipe relatou receio de invasões e protestos durante as filmagens, especialmente em cenas ligadas ao atentado sofrido por Bolsonaro em 2018.

Em nota enviada ao jornal, a produtora Go Up Entertainment afirmou que Caviezel já possui protocolos rígidos de segurança por participar de produções de grande repercussão política e religiosa. A empresa também citou o clima de polarização política e o atentado contra Bolsonaro como fatores que elevaram a preocupação do ator.

Medo de facada real durante gravação

Uma das cenas mais delicadas do longa reproduzia o ataque a faca sofrido pelo ex-presidente durante a campanha eleitoral. Segundo integrantes da produção, Caviezel demonstrava temor de sofrer uma agressão real durante as filmagens, realizadas no centro de São Paulo.

Por causa disso, figurantes e profissionais do set eram submetidos a revistas frequentes. O uso de celulares também era proibido em diversas áreas de gravação. No Hospital Indianápolis, utilizado como cenário da internação de Bolsonaro, a entrada era controlada com reconhecimento facial.

As medidas acabaram gerando reclamações no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP). Pelo menos 15 pessoas relataram revistas consideradas constrangedoras durante o trabalho.

Alerta de Trump agravou temor do ator

O clima ficou ainda mais tenso após declarações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recomendando que cidadãos norte-americanos deixassem a Venezuela imediatamente diante da ameaça de uma possível invasão militar ao país sul-americano.

Segundo relatos da equipe, Caviezel interpretou o cenário como um risco regional e pressionou a produção para criar uma estratégia de retirada emergencial do Brasil. O diretor Cyrus Nowrasteh conseguiu convencê-lo a permanecer temporariamente, mas o ator acabou retornando aos Estados Unidos antes do encerramento das gravações.

A Go Up confirmou que algumas cenas precisaram ser concluídas com dublês e recursos técnicos comuns em grandes produções internacionais.

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