O filme sobre Bolsonaro que virou alvo de polêmica após vazar áudios sobre financiamento

Longa “Dark Horse”, estrelado por Jim Caviezel, estreia em setembro e mistura bastidores da eleição de 2018

O filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retrata os bastidores da campanha presidencial de 2018 e o atentado sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG).

A estreia está marcada para 11 de setembro deste ano, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições municipais, o que ampliou a repercussão política em torno da obra.

Bolsonaro será interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido mundialmente por viver Jesus Cristo em A Paixão de Cristo. Nos últimos anos, o artista também ganhou destaque por declarações antivacina e pela defesa de teorias conspiratórias. O anúncio da estreia e a divulgação do novo pôster do filme foram feitos pelo próprio ator nas redes sociais.

O roteiro de Dark Horse é assinado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro e aliado próximo do ex-presidente. Segundo Frias, o objetivo da produção é mostrar “a verdade” sobre os acontecimentos políticos de 2018, em uma narrativa voltada ao público conservador e apoiadores do ex-presidente.

As primeiras imagens divulgadas mostram momentos centrais da trajetória política de Bolsonaro, desde a atuação como deputado federal até o casamento com Michelle Bolsonaro e o atentado a faca durante a campanha presidencial. O longa também retrata bastidores da corrida eleitoral daquele ano.

Parte das gravações ocorreu em São Paulo, com acompanhamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). A produção foi filmada entre Brasil e Estados Unidos.

Além de Caviezel, o elenco reúne nomes internacionais como Lynn Collins, conhecida por John Carter – Entre Dois Mundos, e Esai Morales, de Missão: Impossível – O Acerto Final. O ator brasileiro Felipe Folgosi interpreta um policial federal na trama.

O diretor Cyrus Nowrasteh aposta em um lançamento internacional para ampliar o alcance político e comercial da obra. O filme chega aos cinemas em um momento delicado para Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e preso preventivamente desde novembro do ano passado.

O orçamento estimado de Dark Horse supera com folga produções brasileiras recentes de grande repercussão. O filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, teve custo aproximado de R$ 45 milhões. Já O Agente Secreto, indicado ao Oscar 2026, contou com orçamento de cerca de R$ 28 milhões.

Outro exemplo é a animação Corrida dos Bichos, prevista para 2026, considerada uma das maiores apostas do cinema nacional recente, com investimento estimado em R$ 25 milhões. Entre os recordistas históricos do cinema brasileiro, Nosso Lar (2010) custou cerca de R$ 20 milhões e ficou marcado pelo alto investimento em efeitos especiais.

Foi o orçamento do filme que gerou a polêmica política nesta quarta-feira (13, após o vazamento de áudios e mensagens revelados pelo The Intercept Brasil em que o senador Flávio Bolsonaro (Pl/RJ), pré-candidato a presidente e filho do ex-presidente, aparece pedindo ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para investir cerca de US$ 24 milhões — aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época —na produção.

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