Flávio Bolsonaro troca marqueteiro e Eduardo Fisher assume campanha após crise do caso Master

Pré-campanha de Flávio Bolsonaro discute contratação de Eduardo Fischer para recuperar controle da narrativa política e recuperar terreno após erros de comunicação

A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro sofreu mais um abalo nesta quarta-feira (20) após a saída do publicitário Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, da coordenação de comunicação do projeto político do parlamentar rumo ao Palácio do Planalto.

Amigo pessoal de Flávio, Marcellão decidiu deixar a campanha após conversas realizadas ao longo do dia com o senador. A informação foi confirmada pelo próprio publicitário, que afirmou que a decisão partiu dele.

Segundo Marcello Lopes, neste momento a prioridade será focar na empresa “Cálix Propaganda” e em outros negócios pessoais. As informações são do site Metrópoles.

Nova equipe

Para reorganizar a comunicação da campanha, o publicitário Eduardo Fischer foi chamado para atuar como consultor. A missão dele será estruturar uma nova equipe responsável pelo marketing político de Flávio Bolsonaro nos próximos meses.

Em nota divulgada pela campanha, a justificativa oficial para a saída afirma que o publicitário decidiu focar nos próprios negócios e em compromissos pessoais no exterior.

“O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, informou a campanha.

A crise do Banco Master

Nos bastidores, aliados do senador passaram a defender mudanças na estratégia de comunicação e a contratação de um nome de peso do marketing político para tentar conter o desgaste provocado pelas revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.

Entre os nomes discutidos pela campanha estava o do publicitário Eduardo Fischer, conhecido nacionalmente por campanhas marcantes da publicidade brasileira, incluindo o retorno do personagem “Baixinho da Kaiser”, que fez sucesso nos anos 1990. A avaliação de integrantes do entorno político de Flávio é que faltou uma resposta rápida e coordenada logo nos primeiros dias da crise.

Aliados afirmam reservadamente que o senador entrou em uma postura reativa diante do avanço do noticiário e demorou a apresentar uma estratégia clara para enfrentar as denúncias e questionamentos ligados ao caso Master. Segundo integrantes da pré-campanha, isso acabou ampliando o desgaste político do parlamentar.

Pressão nos bastidores

A discussão sobre reforçar o marketing ganhou força principalmente entre integrantes da ala ligada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da pré-campanha presidencial. O grupo defende uma comunicação mais profissionalizada, com foco em gerenciamento de crise, campanhas de massa e reposicionamento da imagem pública de Flávio Bolsonaro.

Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que a crise expôs fragilidades no atual núcleo de comunicação do senador, especialmente em relação a Marcelo Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo pessoal de Flávio e figura próxima ao presidenciável. Parte dos aliados considera que ele não possui perfil técnico de marqueteiro político para enfrentar uma crise de grande repercussão nacional.

Também houve incômodo interno após relatos de que Marcelão manteve viagens aos Estados Unidos enquanto o caso Master dominava o debate político no Brasil. Para integrantes da campanha, isso reforçou a sensação de falta de coordenação na resposta inicial ao episódio.

Nome forte da publicidade

Eduardo Fischer passou a ser visto como uma alternativa nos últimos dias e capaz de ampliar o alcance popular da comunicação de Flávio Bolsonaro. Segundo informações citadas pela Academia Brasileira de Marketing, o empresário é considerado um dos pioneiros da comunicação integrada no país e participou de campanhas publicitárias de grande repercussão nacional.

Além do “Baixinho da Kaiser”, Fischer esteve envolvido em campanhas como “Brahma número 1”, “Experimenta Nova Schin” e “Baby Telesp Celular”. Ele também teve sociedade com o apresentador Roberto Justus no mercado publicitário e acumula centenas de prêmios na área da comunicação.

A avaliação de parte da pré-campanha é que a contratação de um profissional conhecido nacionalmente poderia ajudar Flávio Bolsonaro a recuperar protagonismo político e reduzir os impactos negativos provocados pela crise.

Vorcaro amplia tensão

A crise começou após o Intercept Brasil divulgar áudios em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar na conclusão do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Nas gravações, o senador menciona dificuldades financeiras ligadas ao longa e demonstra preocupação com pagamentos relacionados à equipe do projeto, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Depois das primeiras revelações, novas reportagens passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens discutindo formas de envio de recursos aos Estados Unidos.

Apesar de Flávio Bolsonaro ter defendido publicamente a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciado medidas de prestação de contas sobre os investimentos no filme, aliados admitem reservadamente preocupação com o impacto político do caso sobre a viabilidade da candidatura presidencial do senador.

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