As ‘usurpadoras’ do tigrinho: gêmeas influenciadoras fazem piada com operação

Polícia Civil investiga as irmãs Paola e Paulina de Ataíde, que somam quase 4 milhões de seguidores, por suposta promoção de cassinos virtuais ilegais com promessas falsas de lucro rápido.

As irmãs gêmeas Paola e Paulina de Ataíde, alvos da operação realizada ontem contra influenciadores digitais por suspeita de envolvimento com jogos de azar, fizeram piada com a situação em suas redes sociais. Em uma postagem no Instagram, as irmãs pulicaram uma foto com o texto “as usurpadoras”, em referência à novela mexicana de mesmo nome, que mostra uma gêmea boa e outra má, no melhor estilo das nossas Ruth e Raquel, eternizadas por Glória Pires em ‘Mulheres de Areia’.

As duas, que juntas acumulam quase 4 milhões de seguidores, são suspeitas de lucrar com a divulgação de cassinos virtuais ilegais nas redes sociais. A suspeita é de que elas e outros influenciadores tenham enganado seguidores com promessas de ganhos fáceis e rápidos, quando, na prática, milhares de pessoas acabaram perdendo dinheiro.

Na manhã desta quinta-feira (7), Paola e Paulina compareceram espontaneamente à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), na Cidade da Polícia, para prestar esclarecimentos. Elas são dois dos 15 nomes citados na Operação Desfortuna, deflagrada no mesmo dia para investigar a propaganda enganosa de jogos de azar.

Segundo o delegado Renan Mello, as plataformas pagavam os influenciadores de duas formas: com pacotes fechados de publicações, em valores fixos, ou com ganhos variáveis conforme o número de cadastros e o montante perdido pelos seguidores que acessavam o link personalizado. Ainda não se sabe qual modelo foi adotado por cada investigado.

A polícia estima que, entre 2022 e 2024, os influenciadores alvos da operação movimentaram cerca de R$ 40 milhões apenas com parcerias e monetização das postagens. Os conteúdos incluíam vídeos com supostos ganhos, dicas de jogadas e depoimentos falsos, sempre reforçando a ideia de transformação financeira — enquanto, nos bastidores, o dinheiro fluía para as contas dos divulgadores.

Paola Ataíde, que também mantém presença no TikTok, costuma compartilhar dicas de bem-estar e rotina de luxo. Paulina, por sua vez, é mãe de uma menina de dois anos e também exibe nas redes uma vida marcada por grifes e viagens. Procurada, a defesa das irmãs não se manifestou.

Além das gêmeas, a lista de investigados na Operação Desfortuna inclui outros influenciadores como Nayara Silva Mendes, Sun Chunyang e Tailon Artiaga Ferreira Silva. Todos são suspeitos de ter usado a credibilidade digital para atrair vítimas a plataformas proibidas no Brasil.

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