‘Serial killer de SP’: Polícia indicia gêmea de suspeita de envenenamentos em série

Roberta Cristina Veloso Fernandes é suspeita de ajudar a irmã, a universitária Ana Paula, a envenenar e matar quatro vítimas no Rio e em São Paulo; laudo pericial confirma chumbinho apreendido

A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta terça-feira (14), Roberta Cristina Veloso Fernandes, irmã gêmea da mulher apontada como “serial killer” responsável por uma série de assassinatos por envenenamento. Segundo o inquérito, Roberta teria ajudado a irmã, Ana Paula Veloso Fernandes, em quatro homicídios cometidos entre janeiro e maio, nos estados de São Paulo e do Rio.

Roberta, de 36 anos, foi ouvida no 1º Distrito Policial de Guarulhos e responsabilizada pelos mesmos crimes pelos quais a irmã já responde na Justiça. Ela está presa desde agosto. O indiciamento foi confirmado pelo delegado Halisson Ideião Leite, responsável pela investigação.

Laudos e indícios

De acordo com a Polícia Técnico-Científica, um frasco apreendido na casa de Ana Paula continha vestígios de um inseticida com terbufós, substância usada na agricultura que pode causar intoxicação fatal em humanos. Os investigadores acreditam que a universitária utilizou o veneno em alimentos — como sanduíches, bolos, feijão e milkshakes — para matar as vítimas e ficar com seus bens e dinheiro.

As quatro mortes foram registradas em Guarulhos, São Paulo e em Duque de Caxias, no Rio. Em todos os casos, os laudos indicam edema pulmonar e sinais internos compatíveis com envenenamento.

Vítimas e ligações

As vítimas são Marcelo Hari Fonseca, dono do imóvel onde Ana Paula morava, morto em janeiro, após comer um sanduíche; Maria Aparecida Rodrigues, amiga virtual da suspeita, morreu em abril depois de comer um bolo supostamente envenenado na casa da estudante, em Guarulhos; Neil Corrêa da Silva, pai de uma colega de faculdade, também morreu em abril ao comer feijão envenenado; e Hayder Mhazres, um jovem tunisiano com quem ela se relacionava e que morreu após beber milkshake envenenado.

Segundo o inquérito, Roberta participava de parte das ações e manteve contato com a irmã durante as mortes. A investigação também cita Michelle Paiva da Silva, filha de uma das vítimas, como cúmplice nos crimes.

Defesa e desdobramentos

Em nota, o advogado Almir da Silva Sobra, que representa as irmãs, afirmou que não há provas concretas do envolvimento das clientes e que a defesa “acompanha a investigação com a seriedade e a discrição exigidas”.

Ana Paula, presa desde julho, é ré na Justiça pelos quatro homicídios e chegou a prestar concurso para auxiliar de necropsia na Polícia Civil do Rio. A Justiça ainda vai decidir se ela será levada a júri popular.

O Ministério Público deve denunciar Roberta como coautora dos assassinatos. A Polícia Civil investiga se há outras possíveis vítimas.

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