A história da família conhecida como Avelino é marcada por episódios de violência que atravessam gerações no interior do estado do Rio e em outras regiões do país. Eles são alvos de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quarta-feira (1°).
Investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que o grupo acumula, ao longo de décadas, suspeitas de homicídios, disputas armadas e intimidação de adversários. Eles são investigados por estruturar uma milícia privada com atuação no Sul Fluminense.
Um dos principais investigados é Felipe Aguiar de Oliveira Filho, o Filipinho Avelino, que teve a residência vasculhada.
Crimes
Um dos casos mais emblemáticos atribuídos a integrantes do clã ocorreu em 2020, no município de Novo Repartimento, no Pará. Câmeras de segurança registraram o momento em que dois jovens foram mortos a tiros em um posto de combustíveis.
Segundo a polícia, o autor seria João Pedro Bernardes Aguiar de Oliveira, apontado como membro da família, embora não utilize o sobrenome Avelino.
João Pedro chegou a ser preso, mas obteve liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. Posteriormente, de acordo com as investigações, ele teria rompido o equipamento e seguido para o interior do Rio.
Em outubro de 2022, três pessoas foram assassinadas em Paraíba do Sul, no Centro-Sul Fluminense, entre elas, um policial militar. O mesmo suspeito é investigado por envolvimento nas mortes, além de Filipinho e Venancia Avelino.
A apuração indica que o assassinato do PM pode ter sido motivado por vingança. Meses antes, o policial havia abordado dois integrantes da família e outras pessoas que estavam em uma caminhonete de onde, segundo registro da ocorrência, teriam partido disparos. Todos foram levados à delegacia na ocasião.
Morte de empresário
Outro nome sob investigação é o de Fernando César Avelino, primo de João Pedro. Ele é apontado como suspeito da morte do empresário Thiago Amorim Navarro, em Vassouras (RJ), crime ocorrido há cerca de seis meses. O corpo da vítima foi encontrado carbonizado dentro de uma caminhonete, em uma estrada de terra.
Familiares de Thiago afirmam que ele teria ido ao encontro de Fernando para tratar da assinatura de um recibo relacionado a um cheque de R$ 4 mil. Segundo parentes, a amizade de anos entre os dois teria se rompido por causa da dívida. O Ministério Público do Rio acompanha o caso, que tramita sob segredo de Justiça.
João Pedro e Fernando chegaram a ser presos. A defesa de João Pedro sustenta que as acusações referentes ao duplo homicídio no Pará são frágeis e afirma confiar em um desfecho favorável. Sobre os crimes no Rio, os advogados alegam ausência de provas que comprovem a autoria.
Histórico familiar
A trajetória da família, segundo investigadores, remonta a pelo menos seis décadas de conflitos e assassinatos.
Há registros de que, em 1984, um acordo de paz teria interrompido temporariamente a escalada de violência que já tornava o sobrenome temido em diversas cidades do interior fluminense. Ainda assim, novos episódios voltaram a colocar o grupo no radar das autoridades.
A operação
Foi com base nesse conjunto de investigações que o Gaeco deflagrou, nesta quarta-feira, uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão contra nove integrantes da família e pessoas ligadas ao grupo. As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará.
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que o núcleo investigado tenha estruturado uma organização com características de milícia privada, incluindo controle territorial, homicídios, tentativas de assassinato, corrupção e intimidação de testemunhas. Ao todo, 29 endereços são alvo de buscas, com apoio de órgãos de inteligência.
Durante a operação, armas e munições foram apreendidas. O Gaeco afirma que centralizou as investigações diante da gravidade dos fatos e do histórico de violência atribuído ao grupo.






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