A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) quer proibir a comercialização das armas de gel no estado. O brinquedo virou febre nas comunidades do Rio por promover “batalhas” e já vitimou uma pessoa.
Através de um projeto de lei que começou a tramitar na Casa, a ideia é vedar a fabricação, venda, transporte e destruição de brinquedos que sejam réplica ou simulacro de arma de fogo. O texto altera a Lei Estadual 2403/95 que trata do tema.
Conhecidas como gel blasters, elas são importadas da China e vendidas em sites e lojas a preços que variam de R$ 290 a R$ 750. O material pode ser encontrado em grandes polos de comércio popular do Rio.
Mas em Madureira, Zona Norte da cidade, há informações de que camelôs teriam sido proibidos de comercializá-las pelo tráfico de drogas por conta da similaridade com as armas de fogo.
Não é difícil encontrar variações do produto, inclusive acessórios, como a munição de gel e óculos de proteção. A metralhadora automática de gel M4-16 é a mais procurada. Tem versão colorida, mas também modelos de cor preta e camuflagem militar.
“Essas armas podem causar dano para quem as está usando sem equipamento de proteção. Outra preocupação é que um policial pode confundir com uma arma de verdade e terminar em tragédia. A segurança pública tem que ter olhar mais atento para o que está acontecendo”, adverte a deputada Martha Rocha (PDT), autora do projeto, que ainda prevê a cobrança de R$ 15 mil em multa em caso de descumprimento.
A preocupação da deputada tem razão de ser. A Polícia Civil está investigando a morte do entregador Pedro Henrique Figueiredo da Silva, de 27 anos, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, na terça-feira (02/11). A suspeita é que ele tenha sido morto depois que milicianos encontraram uma foto do rapaz segurando uma arma gel.
Segundo a família, o rapaz trabalhava como entregador de aplicativo e como mototaxista, e estava levando uma passageira da Cidade de Deus para a Rua Araticum, em Jacarepaguá.
No trajeto, eles foram parados por milicianos que pediram para ver o celular do jovem. Os criminosos encontraram uma foto dele segurando uma arma de gel e a teriam confundido com uma arma de verdade.
“Esse é o perigo que as pessoas correm. Esse projeto está em consonância com a Lei em vigor e com o Decreto Federal nº 11.615/23, e especifica a proibição do uso de tais simulacros ou mesmo brinquedos que possam ser confundidos, como é o caso das armas”, argumentou a deputada.





