PSB nacional autorizou saída de Léo França e esvazia ação sobre mandato em Petrópolis

A ida de Léo França e do ex-prefeito Rubens Bomtempo para o PT foi construída politicamente pelo vice-presidente nacional do partido, o prefeito de Washington Quaquá

A polêmica em torno da saída do vereador Léo França do PSB para ingressar no PT ganhou um novo capítulo que praticamente encerra a disputa jurídica e política em Petrópolis. A direção nacional do PSB concedeu anuência formal para a desfiliação do parlamentar, afastando qualquer possibilidade de punição com base na lei de fidelidade partidária.

O documento foi assinado em 2 de abril pelo secretário nacional da legenda, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, em carta pública que autorizou oficialmente a saída do vereador da sigla. Com isso, a ofensiva do diretório municipal do PSB de Petrópolis perdeu respaldo político dentro do próprio partido.

Mesmo assim, o diretório local chegou a ingressar com ação na Justiça Eleitoral pedindo a perda do mandato de Léo França, sob o argumento de infidelidade partidária após sua migração para o PT.

O Tribunal Regional Eleitoral, porém, não determinou o afastamento imediato do vereador. A Corte decidiu aguardar o contraditório e a apresentação da defesa antes de analisar o mérito da ação.

Carta desmonta tese de infidelidade partidária

A carta assinada pela direção nacional do PSB reforça de maneira explícita que a saída de Léo França ocorreu com autorização formal da legenda. No documento, o partido afirma que “anui expressamente com a desfiliação partidária” do vereador de Petrópolis.

Em outro trecho, a direção nacional destaca que a anuência foi concedida “de forma livre, expressa e irrestrita”, acrescentando que não existe “qualquer oposição à desfiliação do referido filiado”. O texto ainda ressalta que o ato produz efeitos para todos os fins previstos na legislação eleitoral vigente.

A carta também assegura que Léo França tem “o direito de filiar-se a outro partido político de sua livre escolha, sem que tal ato configure infidelidade partidária”, ponto considerado decisivo para enfraquecer a ação movida pelo diretório municipal do PSB em Petrópolis.

Nos bastidores políticos, aliados do vereador avaliam que a tendência é de consolidação de sua permanência na Câmara Municipal já filiado ao PT.

Movimento foi articulado por Quaquá

A ida de Léo França e do ex-prefeito Rubens Bomtempo para o PT foi construída politicamente pelo vice-presidente nacional do partido, o prefeito de Washington Quaquá.

O movimento também teve o aval do ex-prefeito de Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, reforçando a articulação nacional entre PT e PSB.

Quaquá comentou a composição entre as legendas e minimizou o conflito político em Petrópolis.

— Estamos trabalhando politicamente em parceria com o PSB. Somos aliados no Brasil e no Estado. O PSB no Rio é nosso aliado histórico. Trabalho também para fortalecer o partido numa ampla composição entre as duas legendas — afirmou.

A movimentação é interpretada como parte da estratégia de aproximação entre PT e PSB no Rio de Janeiro, mirando a reorganização das forças políticas para as eleições de 2026.

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