Dívida do Rio pode ter alívio de R$ 19 bi após adesão ao Propag

Com dívida de R$ 231 bilhões com a União, Rio tenta reduzir impacto fiscal e evitar colapso nas contas públicas. Secretaria de Fazenda afirma que adesão ao programa pode gerar economia anual de R$ 4 bilhões para o estado

Governo do Rio de Janeiro aposta no Propag como uma das principais alternativas para reduzir o déficit de R$ 19 bilhões previsto nas contas estaduais em 2026. A avaliação foi feita pela Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro após a publicação, nesta quarta-feira (6), da autorização para adesão do estado ao programa federal no Diário Oficial da União.

O Propag oferece condições mais vantajosas para renegociação das dívidas dos estados com a União e passou a ser visto pelo Palácio Guanabara como uma possibilidade de aliviar a forte pressão fiscal enfrentada pelo Rio de Janeiro. Atualmente, a dívida fluminense com o governo federal chega a R$ 231 bilhões.

Alívio nas parcelas da dívida

Segundo cálculos apresentados pela Secretaria de Fazenda, a adesão ao programa poderá reduzir significativamente o valor das parcelas pagas mensalmente pelo estado.

Hoje, por causa de uma liminar do Supremo Tribunal Federal ainda em vigor, o Rio paga cerca de R$ 270 milhões por mês à União dentro do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), ao qual aderiu em 2017.

No entanto, com o fim da validade da decisão judicial previsto para julho, o valor das prestações subiria para aproximadamente R$ 436 milhões mensais. O governo estadual afirma que esse cenário poderia comprometer a manutenção de serviços públicos essenciais.

Com a entrada no Propag, a parcela cairia para R$ 119 milhões mensais, o que representaria uma economia anual estimada em R$ 4 bilhões. Além disso, o programa prevê juros menores, que podem chegar a zero em determinadas condições.

Exigências para adesão

Apesar do alívio fiscal esperado, o Rio ainda terá que cumprir uma série de exigências previstas na legislação do programa para garantir acesso definitivo aos benefícios.

Uma das principais condições é o pagamento equivalente a 20% do valor total da dívida com a União, o que representa cerca de R$ 40 bilhões. Para cumprir essa exigência, o estado poderá utilizar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, receitas provenientes dos royalties do petróleo e também realizar venda de imóveis públicos.

Outro compromisso envolve a aplicação de 1% do valor da dívida em áreas consideradas estratégicas, como educação profissionalizante, saneamento básico e segurança pública.

Além disso, o governo estadual precisará aprovar um novo teto de gastos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Secretário fala em “dever de casa”

O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, afirmou que o estado ainda precisará cumprir uma série de etapas antes da formalização definitiva da adesão ao programa.

“Agora o estado do RJ precisa fazer um dever de casa importante. Quanto que a gente vai conseguir reduzir a dívida logo na entrada do Propag, pra que essas parcelas sejam menores ao longo dos anos? E depois disso a gente tem uma sequência de documentos, como certidões e termos aditivos, para que a gente assine um novo contrato de dívida com a União”, declarou.

Com dívida de R$ 231 bilhões com a União, Rio tenta reduzir impacto fiscal e evitar colapso nas contas públicas: programa pode gerar economia anual de R$ 4 bilhões.
Reprodução TV Globo

Crise fiscal segue no radar

Mesmo com a expectativa de adesão ao Propag, o cenário fiscal do Rio de Janeiro continua preocupando especialistas e integrantes do governo estadual. O estado enfrenta dificuldades financeiras há anos e segue dependente de mecanismos emergenciais para equilibrar as contas públicas.

Nos bastidores do governo, a avaliação é de que o programa pode garantir fôlego temporário para o caixa estadual, mas que o equilíbrio das finanças dependerá também de crescimento da arrecadação, controle de despesas e avanço de reformas estruturais.

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