STF nega recurso de falso químico preso em mansão no Rio com laboratório clandestino de anabolizantes

Cristiano Zanin rejeita pedido da defesa de investigado preso na Taquara, Zona Oeste do Rio, durante operação que apreendeu anabolizantes, arma e materiais químicos

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou pedido da defesa de Alessandro de Resende Guimarães, apontado como falso químico e preso em 2024, na Zona Oeste do Rio, durante uma operação que encontrou um laboratório clandestino de anabolizantes em uma mansão . A decisão mantém, por enquanto, válidas as provas recolhidas pela polícia durante a ação.

Alessandro, de 41 anos, foi preso em abril de 2024, no bairro da Taquara, durante uma operação conjunta da polícias civis de Minas Gerais e do Rio. Ele estava foragido e foi localizado em uma casa de alto padrão onde, segundo as investigações, funcionava uma estrutura ilegal para fabricação e distribuição de hormônios sintéticos e anabolizantes clandestinos para várias regiões do país.

Durante a operação no Rio, os agentes apreenderam frascos, ampolas, matérias-primas utilizadas na produção dos produtos, além de uma arma de fogo com munições e dois carros de luxo. A investigação aponta que Alessandro atuava como “químico” de uma organização criminosa sem possuir formação técnica, autorização sanitária ou licença para manipulação das substâncias.

Segundo a Polícia Civil mineira, ele já havia sido condenado por tráfico de drogas em Araxá, no Triângulo Mineiro, e fugiu para o Rio de Janeiro, onde teria retomado as atividades ilegais e ampliado a distribuição dos produtos clandestinos.

Quando os agentes cumpriram o mandado na mansão da Taquara, não encontraram as drogas relacionadas à investigação original, mas localizaram os anabolizantes, equipamentos usados na manipulação das substâncias e a arma de fogo.

Após a prisão em flagrante no Rio, Alessandro foi denunciado pelos materiais encontrados durante a operação. Mais tarde, porém, o processo acabou transferido para Minas Gerais, após entendimento de que o caso deveria permanecer vinculado à investigação original.

A defesa passou então a questionar a legalidade da operação realizada no Rio. Os advogados alegam que a busca teria sido autorizada por um juiz de Minas Gerais sem seguir os procedimentos necessários para atuação em outro estado. Com isso, pediram a anulação das provas apreendidas e o encerramento do processo.

STF não analisou mérito do caso

Antes de chegar ao Supremo, o pedido da defesa já havia sido rejeitado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ao analisar o recurso no STF, Cristiano Zanin afirmou que o Supremo não poderia discutir o caso neste momento porque ainda não houve julgamento colegiado no STJ. Segundo o ministro, a defesa tentou recorrer diretamente ao STF contra uma decisão individual tomada no tribunal superior, sem esgotar as etapas anteriores.

Zanin também destacou que o pedido apresentado repetia argumentos já utilizados anteriormente, sem trazer fatos novos que justificassem uma nova análise.

Na prática, o ministro não entrou na discussão sobre a validade da busca realizada na mansão do Rio nem sobre as provas recolhidas pela polícia. A decisão apenas impede que o caso seja analisado pelo STF neste momento.

Com a decisão do Supremo, seguem válidas, por enquanto, as provas obtidas na operação realizada no Rio de Janeiro. O processo criminal contra Alessandro de Resende Guimarães continua tramitando na Justiça de Minas Gerais.

O centro da disputa jurídica agora permanece na discussão sobre a legalidade da entrada da polícia na mansão da Taquara com autorização expedida por um juiz mineiro. Enquanto isso, o mérito das acusações envolvendo a fabricação clandestina de anabolizantes ainda segue em análise pela Justiça.

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