Republicanos desiste de Cleitinho e busca aliança com PL para apoiar Marcelo Aro ao governo de Minas

Partido cita indefinições do senador, confirma mudança de estratégia e articula aliança com PL e PP para a disputa estadual

O Republicanos decidiu não lançar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Segundo o jornal O Globo, após meses de negociações e sucessivas indefinições sobre a disposição do parlamentar em disputar o Palácio Tiradentes, a legenda optou por reorganizar sua estratégia eleitoral e deve anunciar apoio ao ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP), como candidato ao governo estadual.

A decisão foi antecipada por integrantes da cúpula do partido e, posteriormente, confirmada por meio de nota oficial. A mudança ocorre justamente quando Cleitinho voltou a indicar, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, que pretendia disputar o cargo.

Aliança entre Republicanos, PP e PL ganha força

Enquanto Cleitinho sinalizava sua intenção de entrar na corrida eleitoral, lideranças do Republicanos, do PP e do PL avançavam nas negociações para consolidar uma chapa de oposição ao governo estadual.

Na noite de terça-feira, Marcelo Aro participou de uma reunião com o candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial da legenda.

Também estiveram presentes o presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor, enquanto o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, participou de parte da reunião por telefone.

Segundo o acordo em construção, o PP lançará Marcelo Aro como candidato ao Governo de Minas com o apoio do PL e do Republicanos. Inicialmente, Aro disputaria uma vaga ao Senado na chapa do governador Matheus Simões (PSD), mas recuou após a definição de Carlos Viana (PSD) como candidato à reeleição.

A composição também prevê que o Republicanos indique o candidato a vice-governador. Entre os nomes cotados estão o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho, e o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão.

Já o PL pretende indicar o deputado Domingos Sávio para uma das vagas ao Senado. A outra poderá ficar com o Republicanos ou com o PSDB, que avalia lançar Aécio Neves para a disputa.

Partido aponta instabilidade de Cleitinho

Nos bastidores, dirigentes do Republicanos afirmam que a desistência de lançar Cleitinho foi motivada pelas repetidas mudanças de posição do senador ao longo dos últimos meses.

Embora lidere pesquisas de intenção de voto para o governo mineiro, o parlamentar é visto por integrantes da legenda como um político de comportamento imprevisível, o que, na avaliação da direção partidária, poderia gerar dificuldades durante a campanha.

Há ainda o receio de que Cleitinho adotasse um discurso crítico à própria classe política e aos aliados durante a disputa eleitoral, criando desgastes internos.

Segundo dirigentes do partido, também havia a percepção de que o senador mantinha indefinições sucessivas para, posteriormente, sustentar o discurso de que teria sido impedido de disputar o governo pelo chamado “sistema político”.

Procurado pela reportagem, Cleitinho não respondeu aos contatos.

Marcos Pereira critica postura do senador

Ao comentar o impasse envolvendo a candidatura, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, manifestou publicamente insatisfação com a postura adotada pelo senador.

“A instabilidade dele gera instabilidade e insegurança para muita gente. Para o povo mineiro, que merece respeito e tem o direito de saber a verdade sobre o seu futuro, o futuro do povo, e para os candidatos dos vários partidos que tinham o desejo de apoiar a sua candidatura”, declarou.

Na sequência, Pereira afirmou que a candidatura sempre esteve à disposição de Cleitinho.

“Ele sempre foi o candidato de todos. Do Republicanos, do PL, do PP-União, do Podemos, mas nunca foi candidato de si mesmo – também disse o presidente do partido.”

Meses de indefinição marcaram negociações

As dúvidas sobre a candidatura de Cleitinho vinham se arrastando desde o fim do ano passado, mas ganharam novos contornos após a morte de seu irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho.

O Republicanos esperava que o senador anunciasse sua decisão até a convenção estadual da legenda, realizada no último sábado, mas isso não ocorreu.

No dia seguinte, Cleitinho enviou uma carta ao presidente nacional do partido afirmando que não havia desistido da candidatura e justificando o silêncio público pelo período de luto.

Marcos Pereira respondeu prestando solidariedade ao senador, mas ressaltou que a definição caberia ao diretório estadual da legenda.

Segundo aliados do dirigente nacional, ainda houve uma tentativa de viabilizar a candidatura. A proposta previa que Marcos Pereira e Cleitinho gravassem juntos um vídeo anunciando oficialmente a decisão.

A gravação deveria ocorrer até segunda-feira, em São Paulo, mas, conforme interlocutores do partido, o senador informou que não conseguiria viajar para participar do anúncio.

Republicanos diz que esperou definição até o limite

Na nota divulgada após a decisão, o Republicanos afirma que manteve diálogo permanente com Cleitinho durante vários meses e adiou definições estratégicas para preservar a viabilidade de sua candidatura.

A legenda argumenta que ofereceu todas as condições políticas necessárias para a disputa, mas nunca recebeu uma confirmação definitiva do senador.

“O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.”

O texto destaca que o partido aguardou uma definição clara durante meses e postergou decisões para manter aberta a possibilidade da candidatura.

“Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.”

A nota também afirma que a ausência de Cleitinho na convenção estadual produziu consequências políticas inevitáveis.

“O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.”

Por fim, o Republicanos sustenta que precisou reorganizar seu projeto eleitoral em Minas Gerais para garantir previsibilidade aos filiados, aliados e candidatos proporcionais.

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