Quaest mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados em MG, ‘estado-pêndulo’ da disputa presidencial

Desde a redemocratização, todos os candidatos eleitos presidente da República venceram a eleição em Minas Gerais, que historicamente funciona como um fiel da balança nas disputas nacionais

Considerado o principal “estado-pêndulo” da política brasileira, Minas Gerais volta a despontar como peça-chave na disputa pelo Palácio do Planalto. Desde a redemocratização, todos os candidatos eleitos presidente da República venceram a eleição no estado, que historicamente funciona como um fiel da balança nas disputas nacionais.

A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (28), revela um cenário de forte equilíbrio na disputa pela Presidência da República em Minas Gerais, estado considerado historicamente decisivo nas eleições nacionais. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas em situação de empate técnico dentro da margem de erro.

Desde a eleição de 1955, todos os presidentes eleitos pelo voto direto venceram a disputa em Minas Gerais, fator que reforça a importância estratégica do estado para as campanhas presidenciais. Segundo a pesquisa, Lula aparece com 30% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 29%. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de três pontos para mais ou para menos.

O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), que disputa a Presidência, soma 12% das intenções de voto entre os eleitores do estado.

O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre os dias 22 e 26 de julho. O nível de confiança é de 95%.

Segundo turno permanece indefinido

Nos cenários simulados para um eventual segundo turno, Lula mantém pequena vantagem sobre Flávio Bolsonaro, novamente dentro da margem de erro.

O presidente registra 38% das intenções de voto, enquanto o senador do PL aparece com 35%. Outros 9% dos entrevistados afirmaram estar indecisos, enquanto 18% disseram que votariam em branco, nulo ou não compareceriam às urnas.

Lula também venceria Ronaldo Caiado (PSD), por 38% a 30%, e Renan Santos (Missão), por 39% a 24%.

O único cenário em que o presidente aparece numericamente atrás envolve Romeu Zema. Nesse confronto, o ex-governador alcança 39% das intenções de voto, contra 37% de Lula, também dentro da margem de erro.

Rejeição e avaliação do governo

A pesquisa também mediu os índices de rejeição dos principais presidenciáveis em Minas Gerais.

Flávio Bolsonaro lidera nesse quesito, com 59% dos entrevistados afirmando que não votariam nele. Em seguida aparecem Romeu Zema, com 53%, e Lula, com 51%.

Quando questionados sobre uma possível reeleição do atual presidente, 60% dos mineiros responderam que Lula não merece permanecer mais quatro anos no cargo. Outros 36% consideram que ele merece um novo mandato.

Apesar disso, quando perguntados sobre qual seria o melhor resultado para o país, 28% afirmaram preferir uma nova vitória de Lula e do PT.

As demais respostas foram distribuídas da seguinte forma:

  • Lula e o PT vencerem: 28%;
  • A família Bolsonaro voltar a governar: 22%;
  • Vitória de um candidato fora da polarização: 21%;
  • Vitória de um candidato moderado: 21%;
  • Não sabem: 8%.

Em relação ao desempenho da atual gestão federal, 42% disseram aprovar o governo Lula em Minas Gerais, enquanto 51% afirmaram desaprová-lo.

Na avaliação da administração, 31% classificaram o governo como positivo, 24% como regular e 44% fizeram avaliação negativa.

Cleitinho amplia liderança na disputa pelo governo de Minas

Além da corrida presidencial, a Genial/Quaest também avaliou a sucessão do governador Mateus Simões (PSD).

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) permanece na liderança em todos os cenários testados, mesmo sem confirmar oficialmente sua candidatura ao Palácio Tiradentes.

No cenário mais amplo de primeiro turno, Cleitinho aparece com 35% das intenções de voto. Na sequência estão o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), com 12%, e o deputado federal Patrus Ananias (PT), que estreia na pesquisa com 10%.

O governador Mateus Simões, apontado como sucessor político de Romeu Zema, registra 6%.

Caso Cleitinho decida não disputar a eleição, Kalil assume a liderança, com 15%, seguido por Patrus Ananias, que alcança 13%. Nesse cenário, o número de indecisos sobe para 27%.

Nas simulações de segundo turno, Cleitinho mantém ampla vantagem sobre todos os adversários.

Contra Alexandre Kalil, vence por 44% a 29%. Diante de Patrus Ananias, registra 46% contra 31%. Já no confronto com Mateus Simões, abre sua maior diferença: 46% a 15%.

Direita aguarda decisão de Cleitinho

A indefinição sobre a candidatura de Cleitinho continua influenciando a reorganização das forças de direita em Minas Gerais.

O senador não participou da convenção estadual do Republicanos realizada no último fim de semana, uma semana após a morte de seu irmão, Matheus Azevedo.

Segundo interlocutores da legenda, existe a possibilidade de Cleitinho abrir mão da candidatura, cenário que fortaleceria o nome do ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP) como representante do grupo na disputa estadual.

Inicialmente cotado para disputar uma vaga ao Senado, Marcelo Aro passou a ser considerado para o governo estadual após resistir à possibilidade de integrar uma chapa ao lado do senador Carlos Viana (PSD), que tentará a reeleição.

Marília Campos lidera disputa pelo Senado

Na corrida pelo Senado, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) aparece na primeira colocação.

Segundo a pesquisa, ela registra 18% das intenções de voto, seguida pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB), que soma 16%.

Na comparação com o levantamento divulgado em abril, Marília oscilou de 19% para 18%, enquanto Aécio cresceu de 11% para 16%.

A composição da chapa petista ao governo estadual ainda está em definição. A vaga de vice deverá ficar com o PSB, que avalia nomes como o empresário Josué Gomes, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e filho do ex-vice-presidente José Alencar, além do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.

Com a campanha eleitoral se aproximando, Minas Gerais permanece como um dos estados mais estratégicos para a disputa presidencial e para a definição dos principais cargos em nível estadual, mantendo o protagonismo histórico que exerce nas eleições brasileiras.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo