Lula manda reatar relação com Alcolumbre após crise no Senado

Após derrota de Jorge Messias ao STF, governo Lula iniciou ofensiva para reabrir diálogo com presidente do Senado

A derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal provocou uma movimentação imediata do governo Luiz Inácio Lula da Silva para tentar reconstruir a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, Lula orientou auxiliares a retomarem o diálogo com o senador após as derrotas sofridas pelo Palácio do Planalto na última semana.

O movimento ocorre depois da rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF e também da derrubada do veto presidencial relacionado à lei que reduz penas para condenados por tentativa de golpe. Nos bastidores, integrantes do governo passaram a tratar a crise política como um dos momentos mais delicados da articulação do Executivo com o Congresso em 2026.

Os primeiros gestos de reaproximação aconteceram por meio de reuniões entre Alcolumbre e ministros do governo Lula. De acordo com a reportagem, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, esteve com o presidente do Senado na terça-feira (5). Já nesta quarta-feira (6), o encontro foi com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

As conversas ocorreram na residência oficial do Senado e foram descritas como cordiais. Segundo interlocutores do governo, a principal missão era medir o clima político após a derrota de Jorge Messias e evitar um rompimento mais profundo entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.

Nos bastidores, aliados de Lula afirmam que a orientação presidencial foi para “seguir em frente” e reconstruir pontes políticas consideradas fundamentais para a governabilidade.

Alcolumbre resiste a nova indicação ao STF

Segundo relatos sobre a reunião com José Múcio, Alcolumbre teria sinalizado que considera inadequado Lula apresentar uma nova indicação ao STF neste momento. A avaliação do senador seria a de que o governo precisa primeiro reduzir a tensão política no Congresso antes de retomar a disputa pela vaga na Corte.

Ainda de acordo com a Folha, o entendimento do presidente do Senado é de que uma nova indicação ao Supremo deveria ocorrer apenas em 2027.

O desgaste entre Alcolumbre e o governo aumentou após Lula optar pelo nome de Jorge Messias para o STF em vez de apoiar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que era visto por parte do Congresso como alternativa de consenso. Interlocutores do Planalto avaliam que o episódio acabou influenciando diretamente o resultado da votação no Senado.

Clima político segue delicado

Mesmo após os encontros, o ambiente político ainda é tratado com cautela dentro do governo federal. Uma ala do Planalto entende que um rompimento com Alcolumbre seria inviável neste momento, principalmente porque Lula ainda depende da aprovação de projetos importantes no Congresso antes das eleições.

Entre os temas considerados prioritários pelo governo estão propostas ligadas à pauta trabalhista e econômica, como o debate sobre o fim da escala 6×1.

Nos bastidores, Alcolumbre também teria negado aproximação definitiva com a oposição bolsonarista, apesar de aliados do governo enxergarem nas últimas derrotas do Planalto um gesto político em direção ao grupo liderado pelo senador Flávio Bolsonaro.

Enquanto o governo tenta reorganizar sua base política, o episódio da rejeição de Jorge Messias passou a ser visto dentro do Congresso como um marco da fragilidade da articulação do Executivo com o Senado em um momento decisivo para a reta final do mandato presidencial.

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