Em audiência realizada no último dia 4 de junho, o apostador Douglas Barcelos confessou ter feito uma aposta com base em informação privilegiada sobre um cartão amarelo que seria aplicado ao atacante Bruno Henrique, do Flamengo. A revelação ocorreu durante audiência virtual com membros do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Distrito Federal, conforme revelou o portal ge.globo nesta sexta-feira (13).
Barcelos foi o único dos dez acusados no caso a firmar acordo de não persecução penal com o Ministério Público. Em troca da confissão, ele deverá prestar 360 horas de serviços comunitários e pagar uma multa de R$ 2.322,13. Caso comprove residência no exterior, terá a opção de pagar uma multa maior, de R$ 5.500. Durante a audiência, que durou menos de 10 minutos, Barcelos confirmou os crimes: “Confirmo”, respondeu ao ser questionado diretamente pelo promotor Rodrigo Araújo.
Segundo a denúncia, Barcelos participou de um esquema que visava obter vantagem indevida por meio de apostas manipuladas, envolvendo eventos secundários em partidas de futebol. O caso em questão refere-se ao jogo entre Flamengo e Santos, em 1º de novembro de 2023, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. A investigação apontou que Bruno Henrique teria avisado o irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, que forçaria o terceiro cartão amarelo para cumprir suspensão contra o Fortaleza e, assim, estar liberado para enfrentar o Palmeiras, adversário direto na disputa pelo título.
Wander teria apostado na advertência e compartilhado a informação com amigos e familiares, entre eles a esposa, Ludymilla Araújo Lima, e a prima do jogador, Poliana Ester Nunes Cardoso. Além deles, outros cinco nomes também foram denunciados: Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Rafaela Cristina Elias Bassan, Henrique Mosquete do Nascimento, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Max Evangelista Amorim. Todos foram acusados de estelionato, mas recusaram o acordo proposto pelo Gaeco.
Bruno Henrique e seu irmão, por sua vez, respondem por estelionato e fraude em evento esportivo. Em nota divulgada na quarta-feira (12), a defesa do jogador classificou a denúncia como “inteiramente insubsistente” e “manifestamente aproveitadora”, alegando que a acusação foi feita coincidentemente no mesmo dia em que saiu a lista de convocados para o Super Mundial de Clubes da FIFA, da qual Bruno Henrique faz parte.
Atualmente, o atacante está nos Estados Unidos com a delegação do Flamengo, que se prepara para disputar o torneio. A defesa afirma que as acusações serão “tecnica e imediatamente refutadas” no processo judicial.
O caso amplia o cerco sobre esquemas de manipulação de resultados e apostas esportivas no futebol brasileiro, com investigações que vêm ganhando força em diversos estados nos últimos anos.






