O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (27) que não sabe se recebeu de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, o uísque mencionado em mensagens encontradas pela Polícia Federal. Lula disse, porém, que, caso tenha ganhado a bebida, ela já foi consumida.
“Se me deu uísque, já bebi. Eu ganho muita coisa, lembrança, sabe? Não sei me deu, mas se deu já bebi, pode ficar certo”, afirmou Lula.
A declaração foi dada durante entrevista à Band e ocorre depois da divulgação de mensagens do advogado Walfrido Warde, que integrava a defesa de Vorcaro. Em uma delas, Warde relata ao ex-banqueiro uma conversa que teria mantido com Lula e afirma que o presidente agradeceu pelo uísque.
Mensagem cita agradecimento de Lula
A conversa foi enviada a Vorcaro em 22 de janeiro de 2025, 49 dias depois de o banqueiro participar de uma reunião com Lula no Palácio do Planalto.
“Querido, estive com o PR [Presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o uísque e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu Warde a Vorcaro.
O ex-banqueiro respondeu à mensagem com um emoji de coração.
Antes da declaração de Lula deste domingo, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) havia informado que o presidente não recebeu presente de Vorcaro, desconhecia a suposta articulação realizada por Warde e não havia enviado recados ao banqueiro.
Questionado agora sobre as mensagens e sobre a atuação de Warde na tentativa de estabelecer uma interlocução entre Vorcaro e integrantes do governo, Lula contestou o relato atribuído ao advogado.
“O lobista fala bom dia para você, ele fala que dormiu com você. Eu recebi o cara [Vorcaro]. A conversa do Walfrido eu nego, eu não sei o que que ele falou. […] Você acredita em tudo que advogado lobista fala? Como é que eu posso controlar a língua de advogado?”, completou.
Lula relata encontro com Vorcaro no Planalto
O presidente também deu sua versão sobre a reunião realizada com Vorcaro em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. O encontro não constava previamente da agenda oficial de Lula.
Segundo Lula, Vorcaro compareceu acompanhado de Augusto Lima, então ligado ao Banco Master, e alegou que estava sendo perseguido e que havia uma tentativa de quebrar a instituição financeira.
Gabriel Galípolo, que na época era diretor de Política Monetária do Banco Central e posteriormente assumiu a presidência da instituição, também participou da conversa. O então ministro da Casa Civil, Rui Costa, esteve no encontro.
“Olha esse cidadão apareceu junto com outro cidadão chamado Augusto, acho que era o sócio dele, apareceu no meu gabinete, tava lá a duas ou três pessoas, tava inclusive o Galípolo, porque eu chamei para participar da conversa, me dizendo que tava sendo perseguido e que estavam querendo quebrar o banco dele. Eu falei o seguinte: ‘Olha, não vai ter perseguição política’. Você pode ficar certo que no meu governo não tem perseguição política. Você tá tendo chance de se defender. Nós vamos apurar. Se você tiver errado, você paga o preço. Se não tiver errado, você não paga. Ele que tava errado, pagou. Tá preso”, disse o presidente.
Planalto diz que reunião foi a única entre os dois
Segundo a versão apresentada pela Secom, Vorcaro afirmou durante o encontro que se considerava alvo de perseguições. Lula teria respondido que eventuais denúncias relacionadas ao banco deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.
O governo afirma que a reunião de 4 de dezembro de 2024 foi o único encontro entre Lula e Vorcaro e sustenta que não houve outros contatos entre o presidente e o ex-banqueiro.
As mensagens sobre o uísque ganharam repercussão após serem encontradas no material extraído do celular de Vorcaro. Na semana passada, Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime pedindo investigação sobre o suposto presente e sobre a relação do banqueiro com integrantes do governo. A iniciativa constitui um pedido de apuração e não estabelece, por si só, a ocorrência de irregularidade.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 durante as investigações sobre o Banco Master. No mesmo período, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.







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