ANDRE MOURA AJUDA MAS NÃO RESOLVE OS PROBLEMAS DE WITZEL

RICARDO BRUNO A volta do ex-deputado André Moura para governo do estado, vitaminada pelo acúmulo de três pastas estratégicas, não garante qualquer mudança a curto prazo na Alerj, onde a maioria dos deputados reconhece-lhe competência e habilidade para o trato político. Mas também não crê em qualquer poder mágico que lhe permita alterar a disposição…

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RICARDO BRUNO

A volta do ex-deputado André Moura para governo do estado, vitaminada pelo acúmulo de três pastas estratégicas, não garante qualquer mudança a curto prazo na Alerj, onde a maioria dos deputados reconhece-lhe competência e habilidade para o trato político. Mas também não crê em qualquer poder mágico que lhe permita alterar a disposição do grupo de levar a frente o processo de impeachment. Um parlamentar experiente e respeitado entre os colegas resume assim o impacto político da nomeação: “Distensiona, mas não resolve”.

Não foi por outra razão que André Moura, em entrevista à CNN nesta sexta-feira, disse que sua missão não é exatamente salvar o governador de um afastamento que, a julgar pelo trâmite estabelecido, pode ocorrer já no início de agosto. Por mais hábil e jeitoso para o trato parlamentar, Moura não tem sequer tempo para restabelecer as “pontes” com o parlamento, detonadas pelo desastroso Lucas Tristão.

Na conversa com Witzel, ele não quis assumir qualquer compromisso de resultados imediatos. Prometeu, através da gestão e da governança, produzir a médio prazo mudanças que venham a fortalecer o governo na Alerj e na sociedade.

– Nós estamos a 300 por hora, não há como dar um cavalo de pau – confirma um deputado integrante da comissão do impeachment, que, entretanto, reconhece como positiva a volta do super Secretário: “Ele é da política”.

Entubado na UTI, desenganado por todos os especialistas, Witzel pode, contudo, ganhar uma sobrevida se sua defesa conseguir obstar o andamento do processo na justiça. O tempo pode permitir a reconstrução da base. Neste caso, Moura poderia pôr à prova a reconhecida habilidade para a tessitura de um entendimento através da atração de potenciais aliados.

O tempo também ajudaria a cicatrizar as feridas provocadas em boa parte pelo prepotente ex-secretário Tristão. Hoje, portanto, o destino de Witzel está ainda mais nas mãos do Judiciário.

Autor do pedido de impeachment, o deputado Luiz Paulo da Rocha acha que a nomeação do político sergipano revela certo desespero de Witzel, dado que há 45 dias o governador tomou uma posição rigorosamente antagônica.

– O governador parece desesperado, tentando tudo e chamando de volta até um mesmo um secretário que de certo modo escorraçou há pouco mais de um mês. Nada muda – resumiu

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