Amigos, fãs e familiares se despedem de Jards Macalé: ‘Visceral’

Velório aconteceu nesta terça-feira (18), no Palácio Gustavo Capanema, Centro do Rio

Amigos, familiares e admiradores se reuniram nesta terça-feira (18) para a despedida do cantor e compositor Jards Macalé, falecido aos 82 anos, nesta segunda (17). O velório aconteceu no Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio, sob o silêncio e o lamento das despedidas.

A cerimônia teve início às 10h, na Sala Sidney Müller. Descrito como alegre, bem-humorado e um artista à frente de seu tempo, Macalé construiu uma obra que atravessou movimentos e diferentes gerações. Ao lado do caixão, Rejane Zilles, viúva do arista, colocou objetos que faziam parte do dia a dia do músico — entre eles o disco de 1972, clássico da música, um par do tênis All-Stars vermelho, marca de seu vestuário, e uma máscara usada na promoção do disco Besta fera, de 2019.

Outros músicos, como Zeca Pagodinho, e Frejat, que regravou músicas de Jards, enviaram coroas de flores.

“Ele era um cara visceral, totalmente anticonvencional. Dá para perceber isso nas composições e nas letras, sempre muito à frente do tempo dele”, disse o produtor cultural Júlio Barroso, que conviveu com Macalé desde os anos 1990.

Júlio Barroso trabalhou com Macalé desde 1990 | Crédito: Gabriel Mattos / Agenda do Poder

O último encontro dos dois foi em um show na Lona Cultural Gilberto Gil:
“No camarim, tiramos fotos, conversamos e bebemos uma cerveja. O Jards sempre fazia questão de falar com todo mundo depois das apresentações”, lembrou.

Também estavam presentes colegas de palco, como o baterista Thomas Harres, e outros amigos como a atriz Bete Mendes e o ator Luiz Miranda. “As novas gerações vão ter que beber muito dessa fonte. É difícil ver alguém como ele atualmente e estamos perdendo essas referências”, disse Miranda.

O compositor de Vapor barato, eternizada na voz de Gal Costa, marcou a música brasileira com experimentações, parcerias e uma trajetória que transitou do samba à vanguarda.

Macalé morreu na noite desta segunda-feira (17), após uma parada cardíaca enquanto tratava um enfisema pulmonar. Estava internado havia 15 dias.

O cortejo segue para o Cemitério São João Batista, onde o sepultamento está marcado para as 16h.

Legado e trajetória

Carioca da Zona Norte, Jards Macalé cresceu entre os sons do samba do Morro da Formiga e as canções que a mãe cantava acompanhada pelo acordeom do pai. No rádio, conheceu referências como Orlando Silva, Marlene e Emilinha Borba, que moldaram sua formação musical.

A partir dos anos 1960, aproximou-se de Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Participou de Transa (1972), de Caetano Veloso, e lançou discos que se tornaram referência para diferentes gerações.

Entre suas composições mais conhecidas estão Movimento dos barcos, Anjo exterminado, Farinha do desprezo e Vapor barato, parceria com Waly Salomão.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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